a vossa alegria seja completa

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 15, 9-17

a vossa alegria seja completa

A alegria que Jesus nos propõe, a mesma que experimenta na confiança de um amor garantido, é a alegria completa. Todos nós já experimentámos alegrias incompletas, isto é, superficiais e provisórias. Há coisas que nos dão satisfação fazer, que nos dão contentamento, mas, passado algum tempo, nos trazem nostalgia ou mesmo vazio, porque parecem trazer o selo de alguma superficialidade e porventura, também de autocentralidade. Estar numa festa, por exemplo, pode ser palco de dois tipos de alegria: se se cultiva certo prazer, mais ou menos excêntrico, mas autocentrado, sem preocupação com os outros, gera-se contentamento… mas depois, possivelmente, solidão. Se se goza, igualmente, se se faz festa na festa mas pensando nos outros, filtrando os gestos e palavras pela peneira do amor, talvez haja alegria…completa!

JP in Espiritualidade Frases 8 Maio, 2021

As novidades do dia não estão… no telemóvel

Paiva, J. C. (2021). As novidades do dia não estão… no telemóvel Site Ponto SJ, 02-05-2021.

Disponível aqui

O transístor foi uma invenção muito relevante. Curto-circuitando etapas, a pequenez progressiva de todo o arsenal eletrónico permitiu-nos chegar a estes tempos em que, no nosso bolso, podem estar a internet e milhões de dados e informações (i)relevantes, a previsão do tempo e tradutores, emails, mensagens escritas e de voz, o telefone, o controlo de dispositivos em casa, o jornal e até orações. As redes sociais, com os seus prós e contras, tecem-se igualmente no telemóvel. Está ali, portanto, também, algo das nossas relações.

Entender a tecnologia em geral e o telemóvel, em particular, como uma ameaça e um subtrator civilizacional, é nostálgico e pouco fecundo. A procura do equilíbrio parece, antes, residir no ‘tanto quanto’. O fio da navalha coloca-se sempre na pergunta ética que leve a um fazer humanizante. Como químico, gosto de resumir esta tensão ao ajuste da dose. Que dose, neste caso, de telemóvel, pode tornar o aparelho e a minha relação com ele verdadeiramente tónica… e não tóxica, para mim e para os outros?

Algumas dicas quase-práticas para ‘ajustar a dose’

1) de manhã… não começar pelo aparelho…
O início da manhã é sempre uma importante rampa de lançamento do dia. Começar torto é uma porta abertíssima para caminhar torto… e acabar torto. Todos os rituais religiosos valorizam a oração da manhã. Se a vida fosse uma guerra, a oração da manhã era o apontar da artilharia. Sem ela, as munições vão cair erraticamente e podem até causar danos. Quantas vezes reconhecemos que, orientando mal matinalmente, disparamos em todas as direções… Um dos distrativos de orientação chama-se telemóvel. Começar a manhã com as notícias de última hora, com os pop-ups do email ou do WhatsApp, com os espetáculos do istragram ou até com a previsão do tempo, é movediço. Há uma novidade de manhã, que entendo como uma graça, mas que merece o seu trabalho e cuidado: acordar sem vontade de fechar logo os olhos. E uma oração, um naco de silêncio, um agradecimento, comer pequeno almoço ponderado, calmo e sem ruído, são a grande novidade do dia, que brota de dentro e à minha volta. As novidades do dia não estão no telemóvel!

2) às refeições, está desligado
Há uma regra simples e que é consensual para quem reflita minimamente sobre relações humanas, incluindo as connosco mesmos: não ligar o telemóvel durante as refeições. Desligar, colocar em silêncio, tê-lo distante… Sobra espaço para a conversa, com os outros comensais ou para comigo mesmo, para a atitude ponderada e reconhecedora da bondade dos alimentos, para o sabor. Os dedos a teclar e navegar na tela digital favorecem a voracidade do comer, subtraem-nos liberdade…

3) para o quarto é que não
Para crianças e adultos convém também defender-nos do telemóvel no quarto, local de descanso por excelência. Há formas de permitir que apenas chamadas urgentes (um familiar doente, por exemplo) deem sinal, abrindo espaço ao descanso que se procura no quarto e, sejamos humildes, telemóvel e descanso não combinam entre si…

4) proibido se alguém está a querer falar contigo
Todos nós nos espantamos – e lamentamos – um cenário muito frequente em grupos juvenis (e até infantis) em que conjuntos de pessoas estão fisicamente juntos, cada um teclando para o seu lado. Mas alguns de nós, mesmos se adultos críticos destes quadros, já experimentamos estar a teclar no telemóvel com pessoas ao nosso alcance, que desejariam falar connosco. ‘Só um minutinho’, poderemos dizer, ‘tenho uma chamada urgente’. Mas é esta urgência (mal colocada) que nos desumaniza.

5) não deixar de dar feedback
A partir do momento que temos telemóvel (resistindo a uma opção tão hippy quanto tentadora de o não ter.…) temos a obrigação de não defraudar quem nos procura. Assim sendo, SMS sem resposta, emails sem retorno e telefonemas sem chamada ou sinal de volta, são desaconselhados, no que concerne à consideração humana. A dispersão comunicacional em que vivemos pode ter este perigo: banalizar as convocatórias, não significando o toque à porta digital de quem nos procura. Diria mesmo que pode haver um toque ‘sagrado’ na solicitação, também por via eletrónica. Se é sagrado, dê-se-lhe valor e sequência… Pode haver casos de burnout, de não dar conta do recado. Talvez possa ter sentido, nessas situações, prevenir os potencias contactos de que se deixa de ter telemóvel e se atende apenas um número fixo, que só se responde a email ou outra qualquer plataforma clara e coerente que explicite o grau de abertura possível para comunicar.

6) pela positiva: que nos ajude a organizar a vida e promover contactos
Se não se pretende alimentar a visão e vivência pessimistas das inovações tecnológicas, há que sublinhar os aspetos positivos e otimizáveis associados ao telemóvel. Para além de um ‘almanaque sempre à mão’, com oportunidades de conhecimento, organização e contactos, há que potenciar esses caminhos. Numa outra intervenção escrita, gostaria de aprofundar as vantagens da organização digital na vida pessoal e comunitária, mas, para já, a título de exemplo, fica a sugestão de ampliar a eficácia de pontes com pessoas mais sozinhas, tendo uma lista de tarefas dos contactos a promover. Entre outras, esta é uma das vias solidárias – e por isso eticamente cristãs – do aparelho…

7) sentido autocrítico para uma pedagogia capaz de promover a autocontenção
Algumas das regras acima estão radicalmente entrelaçadas nos processos pedagógicos. Pais e professores sabem bem da urgência de educar para o bom uso do telemóvel. Além de tentar começar desde cedo com estas regras (tão anuídas e aceites por todos quanto possível) há que ir fomentando pela conversa, pelo comentário cultural, por várias expressões artísticas contemporâneas (cinema, artes plásticas, literatura, etc.) um sentido genuinamente autocrítico acerca do uso do telemóvel. Os alcances mais ancorados no dinamismo pedagógico serão conseguidos quando forem auto-conquistados. A meta do educador, nunca esquecendo, seria aquela de que o próprio educando interiorizasse e se apropriasse da regra, mesmo que a tivesse recebido em idade mais recuada, como uma rotina… Depois surge a criatividade e o trabalho de engendrar alternativas ao tecnológico, onde a relação com a natureza, a arte, o jogo lúdico analógico e o desporto assumem particular relevo de saída.

Está visto o diagnóstico: reconhecemos mau uso, abuso ou overdose de telemóvel. Falta ‘mãos à obra’ e, incontornavelmente, teremos de convocar alguma autodisciplina, capaz de potenciar este instrumento e esta possibilidade tecnológica, tanto quanto nos conduz para o fim amoroso da nossa existência, que não é desligar-nos, mas ligar-nos!…

PS: Recebo algumas críticas, particularmente dos que me são mais próximos e não sem razão, que me apontam um resvalar, algumas vezes, para um estilo meio professoral, excessivamente pedagógico e até com algum malabarismo estratégico de ‘querer convencer’. Reconheço essa tentação, em parte potenciada pelos ossos do ofício de ser professor. E, nesta reflexão, tenho o dever de confessar o crime. Estas palavras têm o seu quê de endireitar veredas, talvez até de ‘puxar as orelhas’ e contribuir para reorientar um menino que eu cá sei… eu mesmo!

JP in Sem categoria 4 Maio, 2021

toda a vara que em mim não dá fruto…

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 15, 1-8

toda a vara que em mim não dá fruto…

A linguagem da videira, do fruto e da poda, tem uma coerência interna
interessante e pode com grande facilidade ser antropoligizada. Sabemos que damos fruto se estivermos ligados à videira, que, na linguagem da nossa fé, é Deus-amor. A poda que é necessário fazer, nos ramos que precisamos de deitar fora, é uma constatação importante. Quando alguém nos aponta um defeito, uma atitude menos correta, um vício, temos natural tendência de “deitar as garras de fora”, de nos defendermos e até de contra-atacar. Inspirados neste Evangelho podemos ter um entendimento e um acolhimento diferentes das críticas que nos são feitas: possam ser (nem sempre são, bem entendido) instrumentos de reflexão para crescimento, para eventual poda e para dar mais fruto.

JP in Espiritualidade Frases 2 Maio, 2021

Cálculos de amor

Cálculos de amor

 

O Amor é

paradoxal

operação.

Mas que esquisito,

o Amor,

que grande contradição:

divide a gente o Amor

e em tão estranha divisão

sobra sempre desse Amor

uma enorme porção,

pois dividir o Amor

é uma multiplicação…

Como o Amor

não há:

tem-se tanto mais,

quanto mais

se dá…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

acessível aqui (porventura enriquecido com uma ilustração)

 

JP in Ciência Poemas 30 Abril, 2021

neurónios e coração

Confesso-me de pendor racional, com as vantagens e desvirtudes disso mesmo. Digo de mim que até o meu coração é tecido de neurónios ligados à cabeça (e assim é). São alguns neurónios, talvez rarefeitos (…) e oxalá me levem a outra essência que os supere…

JP in Frases 28 Abril, 2021

Aprender criativamente e o esforço necessário…

Para aprender há que ter em conta que «não se fazem omeletas sem ovos». Não se criam textos sem conhecer as palavras, nem se é criativo matematicamente sem saber a tabuada. Aprender deve e pode ser agradável, mas sem «sangue, suor e lágrimas», sem esforço e sem alguma mecanização, não se vai muito longe…

JP in Educação Frases 26 Abril, 2021

Eu conheço as Minhas ovelhas e elas seguem-Me

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 10, 11-18

Eu conheço as Minhas ovelhas e elas seguem-Me

Os apóstolos têm no Apóstolo dos apóstolos, o Bom Pastor, o
seu modelo. Jesus conhece as suas ovelhas, o que no sentido metafórico pastorício é de uma grande relevância e dá um tom muito personalista à nossa Fé. Entendemos que Deus, em Jesus, conhece, “está com” e ama cada um de nós. Inspirador também para os cristãos, eles próprios apóstolos, é conhecer os outros: ouvir, “perder tempo” com eles, saber da sua vida, interessar-se pelos seus problemas (sem invasões, claro…). Esta atitude – e escreve quem a deseja mas quem reconhece inúmeras dificuldades – não pode ser voluntarista e superficial. Esta atenção ao outro terá de brotar de uma atenção ontológica, ao que se é, onde se está e ao que se vive… Ninguém ama o desconhecido e conhecer os outros humanosé um aspeto incontornável da vida de todos. Conhecer os outros e interessar-se genuinamente por eles é, além de um mandato humano, um estilo agudamente cristão…

JP in Espiritualidade Frases 24 Abril, 2021

eternidades

Os meus raros momentos (dádivas) de quase vivência esmagante de eternidade são tecidos, apesar de tudo, de entregas plenas a instantes de presença agradecida.

JP in Espiritualidade Frases 22 Abril, 2021

Digo ou não digo?

Paiva, J. C. (2021). Digo ou não digo? Site Ponto SJ, 15-04-2021.

Disponível aqui

Um dos grandes dilemas relacionais que nos atravessa a vida toda prende-se com a questão “digo ou não digo?”. O que penso, como me sinto, como reajo, como leio determinada perspetiva, palavra ou acontecimento, como pressinto dado cenário, etc. Quem escreve estas palavras tem um passado e um traço personológico de um certo anti-conflitualismo militante que, apesar de tudo, tem vindo a transformar-se. Reconheço hoje, de forma muito clara, que sem algum grau de conflito dificilmente há progresso relacional. Há formas, ambientes, oportunidades e até técnicas que nos ajudam a conflituar civilizadamente (não levantar a voz, por exemplo) mas, a vida, ela mesma, sublinha-nos que o confronto crítico é da dor de parto inevitável das relações sadias. É assim, aliás, também, na vida interior e espiritual, onde a palavra luta não pode ser excluída e onde, por sugestão bíblica, o morno é desaconselhado.

Há um caminho para o discernimento em causa: relações com ou sem futuro

Apresento uma boa notícia (à qual se seguirá, como é costume, uma menos boa notícia…): há uma tese, diria mesmo, uma resposta objetiva, um critério, para fazer face à pergunta que dá título a esta reflexão. E é esta: sim, digo, se a relação tiver futuro.

A má notícia é que a tensão discernente se mantém: desloca-se para uma outra pergunta: “esta relação tem futuro”? Ficará para outro momento um olhar e um eventual amparo para esta enorme e inquietante questão mas registo desde já que algumas relações até “formalmente” próximas (com amigos, pais, filhos, cônjuges, membros da mesma comunidade, etc.) podem não ter muito futuro. Muitas vezes, esse sombrio futuro é dramático e espreitam até becos sem saída. O “sem futuro” das relações nota-se pela toxicidade e desgaste das interações e pode e deve ser encarado com realismo, coragem e liberdade. Muitas vezes, há que romper e vir embora, sacudindo o pó das sandálias. Sem futuro, todos concordamos, não vale a pena.

Algumas dicas quase-práticas para as relações com futuro:

1) quando o fígado se quer descarregar
Há muitos dizeres que são meras descargas figadais, autocentradas e, normalmente, não construtivas. Um discernimento pessoal atento, quando nos preparamos para dizer algo a alguém, porventura de maior teor crítico ou menos abonatório, poderá balizar-se por esta auto-pergunta: “é para descarregar o fígado ou para trabalhar esta relação com futuro?”. Em suma, quem se prepara para dizer, pode colocar a sua intenção numa banho-maria que só avança se passar pelo crivo da construtividade relacional.

2) O tempo, o modo e o espaço
Não pode ser qualquer, o tempo (para uns à noite, para outros à tarde, para outros daqui a uns dias…), o modo e até o espaço onde um diálogo mais combativo se pode travar. Muitas vezes, estas circunstâncias mais externas minam a qualidade da conversa e, por isso mesmo, estes aspetos deves ser mutuamente combinados, preparados e anuídos.

3) O caso da mensagem escrita
Tenho uma simpatia particular, nos cenários de maior tensão e de maior acumulação de “não ditos”, pela mensagem escrita. As grandes vantagens deste expediente prendem-se com a não interrupção recíproca, com a possibilidade de ponderação e de forma de expressão, com o enfoque e com o evitamento da deriva (a bem dizer, as virtudes que descrevo correspondem, no seu avesso, aos traços típicos das deteriorações dialogantes). Como há um certo mito de que a mensagem escrita pode significar medo, fuga ou falta de coragem, sugiro que quando se usa este mecanismo escrito desbloqueante, se tenha um encontro presencial, face-a-face, e se entregue a mensagem, que o recetor ou o emissor podem ler, sem interrupções, em voz alta. Seguir-se-á, desde logo ou adiante, o dinâmico feedback e contra feedback que se impõe…

4) Perguntar ao (potencial) recetor… se quer receber
Pode parecer estranho, mas é fundamental perguntar ao outro se quer ouvir o que lhe tenho para dizer, prevenindo, se for o caso, que pode incluir inspirações mais críticas. Mas é crucial esta indagação na cultura da assertividade. Ninguém ouve se não quiser ouvir e nem convém que o recetor se disponibilize apenas por cerimónia ou obediência. Desde que comecei a usar esta prática (“queres ouvir algo que te tenho para dizer sobre este assunto e que pode incluir algum teor crítico a teu respeito?”), tenho tido mais autênticos encontros a partir de dilemas e divergências. Tenho acumulado também, ironicamente, experiências surpreendentes de negação, em relações que eu julgava… com mais futuro. É verdade que no caso da resposta ser negativa, se manterá, até por mandato cristão, um certo não desistir da pessoa. No nosso coração, será libertador guardar sempre uma abertura, um lugar universal que, por assim ser, tem sempre um nicho de oportunidade para todos e para cada um. Mas, participando no risco da liberdade criadora, não podemos forçar um futuro que o outro não queira ou não possa, na circunstância em que se encontra…

Há denúncias incontornáveis mas há também os nossos limites 

Podemos incluir nesta temática um devir ético e também cristão de denúncia. Em alguns casos (de forma evidente naqueles que correspondem à ultrapassagem da lei e à tangência de crime, real ou moral) teremos mesmo de avançar, mesmo que o próprio visado não deseje confronto. Quando são tocados terceiros pelos atos em causa, a pressão para “dizer” torna-se mais evidente. Mesmo assim, porém, a denúncia, como tudo o que fazemos e dizemos, há-de ser suportada pela liberdade e sujeita aos nossos próprios limites. Tenho a consciência de, ontem e hoje, embora não deseje, ter metido no bolso denúncias que deveriam ser feitas, por limitações próprias da mais variada ordem.

Na Igreja que somos – que tem futuro – ainda falta dizer muito… 

Na Igreja que somos, nas nossas relações intra-comunitárias e no modus faciendi da estrutura eclesial, vejo com frequência certa cerimónia no dizer. Atribuo tal circunstância, principalmente, a dois tipos de equívocos: 1) uma certa ideia de “cristão bonzinho” (que não me parece emergir dos Evangelhos) que poupa aprioristicamente os outros, esquecendo que o crescimento pode pressupor alguma dor. É por isto que ‘magoo ou não magoo se disser’ não é a pergunta central do discernimento cristão sobre o dizer ou não dizer. Também nesta linha, são positivamente inspiradoras, embora não necessariamente muito e bem exercidas, as práticas de correção fraterna, tão frequentes nas regras de muitos carismas religiosos; 2) um excessivo e desequilibrado apoio na metáfora da descrição, do ‘não dar escândalo’, em última análise, na preservação da imagem (exterior…). Essa defensividade colide radicalmente com a sugestão evangélica da luz que convém mostrar e não esconder (Mc. 4, 21-22). Em muitos dossiers polémicos, vistos de dentro e de fora da Igreja, há um longo caminhos a percorrer no que diz respeito à assertividade pública e privada, à transparência e à explicitação…

Na perspetiva crente há dois vetores relacionais que possuem intrínseco valor e que, por isso, merecem investimento: a relação connosco mesmos e a relação com Deus. Há que nunca desistir destes dinamismos, interligados pela Presença que nos habita e pelas pontes com os outros humanos. Tudo isto tem um enorme futuro!

JP in Sem categoria 20 Abril, 2021