Hibridização

Hibridização

Na química,

os aromas mais nobres

são com eletrões de ninguém.

É tal ressonância

que emana

e se espalha em doação.

Na química,

como na química da vida,

é a partilha,

é a não pertença

que nos perfuma…

2019

JP in Ciência Poemas Química 24 Fevereiro, 2021

Reduzido

Reduzido

 

Toma lá,

dá cá,

electrão

já cá está.

Eu fico,

reduzo,

tu perdes,

oxidas,

tu largas

eu uso

electrão,

saltitão.

Reduzi,

oxidei-te

e daqui em

diante

serás oxidado,

e eu

oxidante.

Recebi,

reduzi,

mas também

te oxidei,

lei da vida

é assim:

recebi,

também dei…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

acessível aqui (porventura enriquecido com uma ilustração)

 

JP in Ciência Poemas Química 22 Janeiro, 2021

química dual e eu

A Química é mesmo uma ciência dual: empírica mas racional, pragmática mas puxando pela imaginação. A Química, ao mesmo tempo, estuda objetos mas cria objetos, aproxima-se de leis gerais mas pulvilha-se de excepções. Talvez por isto goste de Química… porque também eu sou assim…

JP in Frases Química 18 Janeiro, 2021

Tiulada

Titulada

 

Pim, pim

cai,

assim,

na solução,

pim, pim

rumo

à neutralização.

No fim,

se indicador

se intromete,

nem sempre

vale

o pH sete.

Gráfico

escada,

subida,

escala andante.

Valor encontrado:

Sabia-se o titulante

Sabe-se o titulado…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

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JP in Ciência Poemas Química 26 Outubro, 2020

prata

Os nomes dos elementos químicos e, mais ainda, as suas representações simbólicas (uma, duas ou três letras) têm também uma lógica, algumas vezes «escondida», que nos pode ajudar a entender melhor a natureza. O símbolo químico da prata, Ag, pode relacionar-se com Argentina, pois havia muitas minas de prata (argentium) naquelas terras da América do Sul (onde existe, aliás, o «Rio de la Plata»). A palavra platina é um diminutivo depreciativo de «plata» (prata) e o símbolo químico da platina é Pt (nada a ver com Portugal, bem entendido…).

JP in Ciência Química 18 Setembro, 2020

Cobre

Cobre

 

Com sulfato

emparelhado,

em pedra

ou solução,

é belo de

azul

metal,

descrição.

Condutor

abraçado

isolante,

corrente

aqui

aparece

adiante.

Maleável,

valioso,

industrial,

abundante.

Ancestral

precioso

em moedas,

vibrante,

polido,

brilhante.

Não sei quem

é mais duro,

se sou eu

ou se és tu.

Gosto mais

do meu nome

pois teu

é feio

…é Cu…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

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JP in Ciência Poemas Química 26 Agosto, 2020

átomos “gulosos”

Por vezes, podemos arriscar alguma antropomorfismo da matéria para sermos mais claros (ainda que menos rigorosos, como às vezes nos impõe a didática…). Há um conceito importante em química que diz respeito à afinidade electrónica. Este conceito relaciona-se com a energia posta em jogo, quando um átomo recebe um electrão. Se muita energia se libertar nesse processo de captação eletrónica, então a afinidade electrónica (uma medida da tendência desse átomo para chamar a si electrões) é grande. Se, pelo contrário, pouca energia se libertar (ou, como por vezes acontece, se for preciso fornecer energia para o átomo «suportar» mais um electrão), então a afinidade electrónica é pequena. Também noutras palavras e contextos a palavra afinidade tem este significado: ter afinidade com alguém é gostar e querer esse alguém. Falar em «paixão» dos átomos para se ligarem, por exemplo, observando que uns têm mais apetência para se ligarem do que outros, para determinadas espécies químicas, pode ser esclarecedor. O conceito de electronegatividade, que se relaciona com a afinidade electrónica e diz respeito à tendência dos átomos para chamarem a si electrões na ligação química, pode ganhar, do ponto de vista pedagógico, com a palavra «guloso». O átomo de flúor é muito guloso de eletrões (tem grande electronegatividade… e grande afinidade electrónica) e, quando se liga com outro, como o hidrogénio, por exemplo, menos guloso, formando uma molécula de fluoreto de hidrogénio (HF), dá origem a uma molécula polar (com pólos). As cargas negativas (respeitantes aos electrões) estão mais tempo do lado do flúor, que é muito guloso de electrões, do que do hidrogénio, que é menos «guloso»… Como é interessante (e quase humanizante) a interpretação química da natureza…

JP in Ciência Química 20 Agosto, 2020

cerne concetual da química

Há um eixo concetual da química que torna esta ciência tão necessária quanto fascinante: o que tendemos a fazer, é interpretar as propriedades macroscópicas das substâncias (e das respetivas transformações), com base no dinamismo corpuscular que constitui dinamicamente a matéria. Por exemplo, se um material é duro e/ou se funde a temperaturas altas, é de supor que os corpúsculos que o constituam estejam fortemente ligados… Como é interessante tentar tatear como funcionam as coisas!…

JP in Ciência Química 30 Junho, 2020

Laboratório químico

Laboratório químico

 

Uma pipeta

pipeta a

bureta.

Outra

bureta

torneira

na mão.

Pego no

copo

faço solução,

mexo

com a

vareta

em rotação.

Aqueço

no disco

ou no

bico a gás

dissolvo

e verto

para uma

matráz.

Agito assim,

diluir solução

metendo

com água

para um

simples balão.

É lindo

ver e pensar

mas sempre

seguro,

com muita

atenção.

A química

andando

com muita

emoção…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

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JP in Ciência Poemas Química 28 Novembro, 2019

Tabela Periódica

Tabela Periódica

 

Que Tabela!

Quem pintou

esta tela?

Quem a criou?

Que tabela!

Quem sou,

no meio dela?

Onde estou?

Basta uma vintena

de teus elementos

para compor a cena

dos meus pensamentos.

Carbono e outros que tais

cálcio, ossos, dentes…

elementos iguais

combinações diferentes…

Que tabela

engraçada

o russo

inventou.

Deixou

-lhe

buracos

que a ciência

ocupou.

Há colunas

e linhas

sem ser

linear.

E o mundo

criado,

contando comigo,

tem lá seu lugar

tem lá seu abrigo…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

acessível aqui (porventura enriquecido com uma ilustração)

 

JP in Ciência Poemas Química 12 Novembro, 2019