«mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos»

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se o salmo 79
«mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos»

Em vésperas de Natal, cantamos “Mostrai-nos, Senhor, o Vosso rosto”, no refrão do Salmo 79. Conhecer o rosto de alguém é condição para uma relação, para uma entrega, para um compromisso de amor. O rosto de Deus é, para os cristãos, o rosto de Jesus. A imagem de Jesus que nos é transportada pela História, pela tradição, pela arte, ou até pelos filmes que recriam a Sua vida pode não corresponder fielmente à realidade. Há traços, contudo, que convém ter presentes: o rosto da misericórdia, o rosto da tolerância, o rosto da paz, o rosto do incentivo para recomeçar. Estes traços do rosto do nosso Deus deverão ser observados por nós e evitar visões faciais que Deus não tem, como o medo, a imposição ou a austeridade inconsequente.

JP in Espiritualidade Textos 22 Dezembro, 2018

«O Senhor exulta de alegria por tua causa» 

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Sof 3, 14-18a
«O Senhor exulta de alegria por tua causa»

As leituras do Antigo Testamento são por vezes áridas e difíceis, mais carentes de exegese. Por mais que se compreenda e viva fascinado pela novidade de Jesus, Ele mesmo só se compreende enquanto contínuo da tradição judaica. Em certo sentido, se Jesus é a chave, o judaísmo é a porta… Este texto de Sofonias coloca-nos no cerne da fé, na alegria de Deus pela existência de cada um. É, em certo sentido, a fé de Deus nos homens. E que libertador pode ser ter esta matriz de doação, de bênção. Sim, uma bênção com um custo. Uma rosa com espinhos. Mas, ter fé, aceitar a fé de Deus em nós, é escolher, focar-se e viver a beleza da rosa, apesar dos espinhos…

JP in Espiritualidade Textos 16 Dezembro, 2018

«peço sempre com alegria por todos vós» 

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se II Filipe 1, 4-6.8-11 
«peço sempre com alegria por todos vós»

 

Paulo, apóstolo enérgico, vital, empreendedor e mobilizador (nem por isso imaculado e sujeitável a um olhar histórico-crítico…), empresta-nos nesta carta à comunidade dos filipenses um verdadeiro sentido do “nós”. Viver, estar e ser em Igreja, tem um potencial de autodescentramento, de nos polarizar num crescimento comum. Rezamos “Pai nosso…” e não “Pai meu…” e, isso mesmo, é símbolo de um convite mais coerente e amplo para uma vida espiritual comunitária. Rezarmos uns pelos outros é diferente de ‘pedinchar’. Na linha de Paulo, será pedir e contribuir para o dom da alegria de cada um, em todas as  circunstâncias. Rezar pelos outros é pedir desde logo a abertura para que as minhas mãos os beneficiem e sejam mãos capazes de aliviar jugos e promover esperanças.

JP in Espiritualidade Textos 8 Dezembro, 2018

«a vossa libertação está próxima» 

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 21, 25-28.34-36
«A vossa libertação está próxima»

Começa para os cristãos católicos romanos o chamado tempo de Advento, de espera, de esperança e, em certo sentido, de preparação para os brotares do tempo. Os ciclos litúrgicos são um ritual ajudante, uma pedagogia, um convite de consciencialização comunitária para os movimentos do espaço, do tempo e do espírito. Mas estes ciclos maiores reproduzem-se no dia-a-dia. Hoje mesmo, na linha do texto proposto, provavelmente, vou viver sinais fantásticos que a natureza me oferecer, vou viver angústias interiores e exteriores, vou-me ver lançado em dilemas complexos, vou deixar-me provocar por esperanças, encontros e desencontros. Vou, com toda a certeza, fazer pontes de Páscoa, em que mortes geram vida. Portanto, o Advento, o Natal, a Quaresma, o Tempo Comum e a Páscoa, são, mais do que ciclos litúrgicos, ciclos de vida quotidiana. Preparar, vigiar e dar toques de esperança e de futuro ao que sou e ao que faço, isso é advento…

 

 

JP in Espiritualidade Textos 2 Dezembro, 2018