o deserto que sou

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 62

Encontramos no Salmo uma imagem muito real de nós próprios: “terra árida, sequiosa, sem água”. É uma descrição daquilo a que chamamos, também, desejo. O nosso coração tem uma sede eterna do eterno e esse desejo e essa carência move-nos e comove-nos, na fé e na vida. Quando as nossas apostas se dirigem ao provisório, ao precário, ao passageiro, a terra é regada mas logo seca com o Sol árido da própria vida. É a secura que se torna constante. Há que procurar, pois, para esta terra sedenta que somos, uma fonte, uma fonte de água viva. Para os cristãos, é Cristo esta nascente contínua, que nos rega a cada instante, que nos mata a secura, que nos torna carentes-desejantes-saciados, agora e para sempre. A água, convém notar, não elimina a sede: sacia mas permite a sede que vem. A fonte, essa sim, é a garantia da água abundante…

NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.

DOMINGO XXII DO TEMPO COMUM

L 1 Jr 20, 7-9; Sl 62 (63), 2. 3-4. 5-6. 8-9
L 2 Rm 12, 1-2
Ev Mt 16, 21-27

JP in Sem categoria 30 Agosto, 2026

abrir e sair

Se me perguntassem para eu responder com poucas palavras à pergunta “para que entras numa igreja”, eu só conseguia responder com dois verbos: para abrir e para sair.

JP in Sem categoria 28 Agosto, 2026

tentar de novo

Recomeçar é um pulsar muito proprio do cristianismo mas é radicalmente insuficiente fazer mais do mesmo e, principalmente, insistir nos mesmos equívocos. Recomeçar é um apelo criativo e de mudança.

JP in Sem categoria 26 Agosto, 2026

Maria e o sim… e o não…


No contexto religioso, Maria é apontada como a senhora do sim (à realidade oferecida…). Mas, como sabemos, a vida pede, também, nãos… Nãos que são ‘sim’ a outras coisas importantes, como descanso, qualidade de vida, requalificação de outros serviços já com compromisso, ‘sim’ a outros amores… Como se jogam sim e não na minha vida?

JP in Sem categoria 24 Agosto, 2026

quem é Jesus?

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 16, 13-20

Há uma pergunta muito central no cristianismo, que nos visita em espiral, sempre com aprofundamentos renovados: quem é Jesus, o Cristo, para mim? Embora a fé vivida na Igreja sublinhe o “nós necessário”, o caminho conjunto (a Igreja pode ajudar-me a que eu “me livre de mim mesmo”, concentricamente…), esta pergunta é muito pessoal e dinâmica. Para os cristãos, é uma pergunta que se vai fazendo e que vai tendo como respostas sucessivas a nossa própria vida (con)formada nessa mesma percepção (assim vivida) de Cristo em nós.

NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.

DOMINGO XXI DO TEMPO COMUM


L 1 Is 22, 19-23; Sl 137 (138), 1-2a. 2bc-3. 6 e 8bc
L 2 Rm 11, 33-36
Ev Mt 16, 13-20

JP in Sem categoria 22 Agosto, 2026

expetativa aberta

A gestão da expetativa é um ângulo de visão de nós mesmos e das nossas relações, muito certeiro. Tem-me ocorrido esta liberdade: a expetativa não é para ser alta nem baixa mas aberta… Expetativa aberta é liberdade.

JP in Sem categoria 20 Agosto, 2026

voltar às origens

O interessante regresso às origens é um pulsar de vida. Significa que há espaço para algum toque clássico, convencional ou até conservador, na vida, na sociedade e na Igreja. Não pode é ser um reconhecimento estático que veja na tradição uma tampa hermética mas, antes, vida a dizer-se e a redizer-se…

JP in Sem categoria 18 Agosto, 2026

a fé é bem maior do que a religião…

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 15, 21-28

A mulher a quem Jesus dirige as palavras «é grande a tua fé: faça-se como desejas», é uma mulher gentia, exterior ao povo judeu. Depois de insistir para que Jesus a visse e atendesse, ela vê confirmada a sua aposta no Mestre e é atendida pela Sua misericórdia. Se dúvidas houvesse sobre a porosidade dos que podem aceder a Jesus, este texto do Evangelho recoloca-nos na radical abertura. Fora da esfera formal e institucional da Igreja, como sabemos e vemos, há muita fé! Esta passagem pode ajudar-nos a abrir horizontes e vistas, reprimindo qualquer fundamentalismo e fechamento religioso. É muito saudável perceber que pode haver salvação (fé, verdade, vida, felicidade, encontro…), fora da tradição de qualquer religião. Dito de outra forma: toda a fé, toda a verdade e toda a vida autêntica, com ou sem rótulo, coerente com o amor, é de Deus. Pode, aí nesse lugar, ser muito grande a fé…

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.

DOMINGO XX DO TEMPO COMUM


L 1 Is 56, 1. 6-7; Sl 66 (67), 2-3. 5. 6 e 8
L 2 Rm 11, 13-15. 29-32
Ev Mt 15, 21-28

JP in Sem categoria 16 Agosto, 2026

dúvida da fé…

A dúvida não é bem sobre a existência de Deus: é sobre se eu me consigo abrir à sua comunicabilidade…

JP in Sem categoria 14 Agosto, 2026

sincretismo

Pelo menos escatologicamente, mas talvez não só, posso assumir-me como um quase-sincretista espiritual: a religião que se tem ou não tem, em certo sentido, é uma insignificância…

JP in Sem categoria 12 Agosto, 2026