expetativa aberta
A gestão da expetativa é um ângulo de visão de nós mesmos e das nossas relações, muito certeiro. Tem-me ocorrido esta liberdade: a expetativa não é para ser alta nem baixa mas aberta… Expetativa aberta é liberdade.
A gestão da expetativa é um ângulo de visão de nós mesmos e das nossas relações, muito certeiro. Tem-me ocorrido esta liberdade: a expetativa não é para ser alta nem baixa mas aberta… Expetativa aberta é liberdade.
O interessante regresso às origens é um pulsar de vida. Significa que há espaço para algum toque clássico, convencional ou até conservador, na vida, na sociedade e na Igreja. Não pode é ser um reconhecimento estático que veja na tradição uma tampa hermética mas, antes, vida a dizer-se e a redizer-se…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 15, 21-28
A mulher a quem Jesus dirige as palavras «é grande a tua fé: faça-se como desejas», é uma mulher gentia, exterior ao povo judeu. Depois de insistir para que Jesus a visse e atendesse, ela vê confirmada a sua aposta no Mestre e é atendida pela Sua misericórdia. Se dúvidas houvesse sobre a porosidade dos que podem aceder a Jesus, este texto do Evangelho recoloca-nos na radical abertura. Fora da esfera formal e institucional da Igreja, como sabemos e vemos, há muita fé! Esta passagem pode ajudar-nos a abrir horizontes e vistas, reprimindo qualquer fundamentalismo e fechamento religioso. É muito saudável perceber que pode haver salvação (fé, verdade, vida, felicidade, encontro…), fora da tradição de qualquer religião. Dito de outra forma: toda a fé, toda a verdade e toda a vida autêntica, com ou sem rótulo, coerente com o amor, é de Deus. Pode, aí nesse lugar, ser muito grande a fé…
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
L 1 Is 56, 1. 6-7; Sl 66 (67), 2-3. 5. 6 e 8
L 2 Rm 11, 13-15. 29-32
Ev Mt 15, 21-28
A dúvida não é bem sobre a existência de Deus: é sobre se eu me consigo abrir à sua comunicabilidade…
Pelo menos escatologicamente, mas talvez não só, posso assumir-me como um quase-sincretista espiritual: a religião que se tem ou não tem, em certo sentido, é uma insignificância…
É necessário repensar a tradição filosófica e teológica ocidental que esteve durante dois mil anos estruturalmente associada ao cristianismo. Há certamente muito a mudar, e não se trata apenas de mudar este ou aquele elemento isoladamente. Há uma verdadeira mudança paradigmática a realizar. Ela está a acontecer ao nível cultural em geral e, talvez por não estar a acontecer com a mesma rapidez ao nível religioso, parece haver um número crescente de pessoas que não se reconhece em boa parte do actual discurso teológico cristão. Uma mudança paradigmática tão sentida por Teilhard de Chardin na primeira metade do século passado e por alguns pensadores cristãos actuais surge agora como absolutamente inadiável. Mas está por fazer…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 14, 22-33
Jesus convida os discípulos – nós mesmos – a mover-nos para a outra margem. É uma linguagem simbólica relevante apontando, em certo sentido, que chegar e parar é sempre curto na fé. Somos feito de caminho de uma constante procura. Este convite de desinstalação é feito depois do milagre da multiplicação dos pães, evento em si mesmo com potencial equívoco: Jesus desejava plasmar a força e a abundância da partilha mas tal milagre, mal colhido, é a entrega à magia que não responsabiliza, como se houvesse fraternidade sem partilha humana de vida e de bens. Ir para a outra margem é viver, é, mesmo parando, caminhar. O nosso lugar é o da passagem, sempre para a outra margem…
NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.
Sempre ‘abusei’ da expressão “Deus é amor”, que é bastante razoável para tentar falar do indizível. Mas há um ajuste que pode dar ainda mais força a tal ideia, sublinhando o lado atuante e penetrante da transcendência. Seria então “Deus é amar”.
Por vezes, pesa-me um certo excesso de conforto e de bem estar, físico, psicológico, relacional e espiritual. Além do impulso da partilha, reconheço-me privilegiado por acolher essa paz como um dom, uma dádiva que existe para ser fruída e partilhada. Que tal reconhecimento e agradecimento seja um treino, também, para robustecer e amparar cenários menos confortáveis que virão adiante…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 14, 13-21
dai-lhes vós de comer
Há multidões, há barcos, há gente, há Jesus. Há mundo e há vida, a vida que corre. No seio do desejo e da carência palpita o grito ainda silencioso mas real… da fome. Alguns seguidores ainda ingénuos procuram o milagre fácil que multiplica o pão. Mas o anúnico radical aparece: é convosco que quero ir fazendo este milagre. “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Este texto, radicalmente eucarístico, poderia mostrar um lado ainda mais ontológico com um arranjo semântico: “dai-lhes vós mesmos o que sois”. Na realidade, o âmago do nosso ser é ser pão.
NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.
L 1 Jr 20, 7-9; Sl 62 (63), 2. 3-4. 5-6. 8-9
L 1: Is 55, 1-3; Sl 144 (145), 8-9. 15-16. 17-18
L 2: Rm 8, 35. 37-39
Ev: Mt 14, 13-21