liberdade
A liberdade é a conciliação da realidade com a consciência de que a vida não é fácil.
A liberdade é a conciliação da realidade com a consciência de que a vida não é fácil.
Gosto muito de uma analogia, de origem islâmica, que aponta metaforicamente para as religiões serem o copo e a espiritualidade ser o vinho. Há vários corolários que costumo extrair: um copo sem vinho pouco vale; pode beber-se vinho sem copo (a espiritualidade supera as religiões) mas um copo pode dar jeito (eventual vantagem das religiões…).
Há vários tipos de copos…e de vinhos, etc. Numa fase em que andava meio desalentado com os copos do meu vinho (religião…), mas muito consciente do valor do(s) copo(s) e até agradecido pelo vasilhame, notei interiormente o valor ‘salvífico’ do vinho, que é o que importa, na realidade. Sem vinho, até o meu criticismo, por mais autêntico e urgente que seja, fica seco… A minha ‘saída’ é, talvez como sempre, espiritual ou, se quisermos, mística.
Senti verdadeiramente esse (re)desejo: o do vinho.
(Re)pego na analogia primeira: o vinho também pode, corrido em abundância, lavar o copo com pó e outras sujidades. De mais e mais se beber vinho, o copo pode vivificar-se e fazer fluir melhor a abundância e a partilha, não tanto do vinho em si, que é por inerência excessivo, mas dos próprios copos, que existem, tão só, para servir o bom vinho.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 14, 15-21
«Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos»
No início do Evangelho de João há uma subtileza na ordem das afiramções, que pode ser relevante. Diz-se “Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos”. Notemos que se não diz: “Se guardardes os meus mandamentos, amar-me-eis”. Tomo a liberde de pegar nesta constatação de ordem semântica, para polarizar certa incondicioanlidade do amor de Deus em Jesus. Primeiro é amar, melhor, reconhecer o amor e nele mergulhar (batizar-se…). Depois então, se cumprem esses mandamentos, mandamentos precisamente do amor. É verdade que há uma dialética entre o cumprimento (mais ou menos moral) dos mandamentos e o amor realizado, mas há um toque tão subtil quanto relvante de que, aqui e sempre, o amor vem primeiro. A Páscoa, é a primazia do amor!
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
L1: At 15, 1-2. 22-29; Sal 66 (67), 2-3. 5. 6 e 8
L2: Ap 21, 10-14. 22-23 ou Ap 22, 12-14. 16-17. 20
Ev: Jo 14, 23-29 ou Jo 17, 20-26
Corre o tempo
Corre o tempo
E eu sem tempo
Para dar tempo
ao tempo que vem.
Escapa-me o tempo
Esmaga-me o tempo
E estando no tempo
Estou mais além
Entro no tempo
Dou tempo ao tempo
Colho do tempo
O que o tempo tem.
Sinto o tempo
Acolho o tempo
Navego no tempo
Mas fico aquém.
Venha mais tempo
Venha mais vento
Seja tempo com tempo
Seja tempo de bem.
O equilíbrio é uma aspiração humana mas não pode ser um equilíbrio estático. Pode inspirar-nos o equilíbrio químico: quando existe, é radicalmente dinâmico. Reagentes e produtos apresentam concentrações estáveis e ‘equilibradas’ (mesmo que diferentes) mas tão só porque as velocidades microscópicas nos sentidos direto e inverso são as mesmas. A nossa aspiração humana é a de um equilíbrio dinâmico…
Que o que eu faço alimente o que eu sou e que o que eu sou possa ser um pedaço de esperança para outros…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 14, 1-12
«Eu sou o caminho, a verdade e a vida»
Jesus apresenta-se como caminho, verdade e vida. Cada um de nós, na sua existência e nas suas interrogações mais interiores procura, afinal, um caminho, uma verdade, uma vida. Jesus é em Si próprio, esta estrada. Não é solução rápida e pré-fabricada, não é verdade matemática e meramente racional, não é elixir de vida. Jesus é caminho. Jesus é processo. O que nos acontece, numa espécie de via de teologia negativa, é que seguimos, inúmeras vezes, outros caminhos, outras verdades e outras vidas. E não é nenhuma moral mas a própria vida e os impactos (des)consolantes, que nos acordam e nos lançam no respirar existencial dos recomeços, isto é, das nossas páscoas…
Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas noutro contexto
L 1 At 6, 1-7; Sl 33 (34), 1-2. 4-5. 18-19
L 2 1Pd 2, 4-9
Ev Jo 14, 1-12
Inspirados por Kung, e não só, é bom que os católicos romanos tenham uma lucidez crítica muito abrangente dos vários ‘ismos’ que têm vindo a deixar a Igreja num lugar egocêntrico, autoreferenciado, velho, caduco e valorizador da exterioridade: antimodernismo, triunfalismo, antiprotestantismo, tradicionalismo, clericalismo, etc…
O amor entre duas pessoas tem sempre um toque de encontro de carências… e também isso é amor.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 10, 1-10
«Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância»
A liturgia enfatiza Jesus como Mestre e guia, como o (Bom) Pastor do rebanho, que somos nós. Contrariando alguns vestígios desinteressantes na catolicidade de erratismo no amor de Deus, aqui se evidencia que Deus, é só e só mesmo um Deus de vida. Ele quer que tenhamos vida. Não uma vida qualquer, não “uma vida e pronto!” mas uma vida de abundância. A vida de abundância representa também a vitória sobre a morte, experimentada pelo próprio Jesus. A nossa vida tem um potencial de espelhar a abundância que Jesus quer para nós. Pode ser um excelente programa de vida fazer do tempo, do espaço e dos nossos gestos escritos em cada segundo e em cada metro quadrado, sinais da abundância amorosa para com todos.
Pode ser mais difícil ver ou experimentar esta abundância nos tempos que vivemos. Mas notemos, por exemplo, a abundância de valor da vida que se respira, com a atenção aos mais frágeis, colocados em primeiro lugar, antes de muitos outros interesses? Há ainda a abundânica da natureza: das sementeiras, do mar, da floresta, da cor da natureza. A abundância de vida é um franco e óbvio sinal da abundância de Deus…
Este texto repete em parte ou na totalidade palavras já editadas anteriormente.
DOMINGO IV DA PÁSCOA
L 1 At 2, 14a. 36-41; Sl 22 (23), 1-3a. 3b-4. 5. 6
L 2 1Pd 2, 20b-25
Ev Jo 10, 1-10