colisão entre ciência e religião?

Tensões científicas, sociais, filosóficas e teológicas se levantam no diálogo entre ciência e religião. Se a religião  colidir desnecessariamente com a ciência e a cultura do nosso tempo, não consegue fazer-se entender e não atrai, já que a cultura actual, e bem, não se deixa ludibriar por discursos que sejam incompatíveis com o paradigma da sociedade do conhecimento em que vivemos. A religião é obviamente diferente da abordagem científica, mas muito perde se se apresentar como incompatível com as verdades científicas.

JP in Sem categoria 10 Março, 2026

samaritana

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se  Jo 4, 5-42

“Dá-Me de beber” é excelente mote de Quaresma, de sinal de água no deserto do caminho. Este diálogo de Jesus com a Samaritana é, nas boas palavras de Tolentino Mendonça, o ‘elogio da sede’. A sede de Deus (o seu sonho amoroso para o mundo) transforma-se na nossa sede. As sedes unidas, a nossa e a do criador, criam as aberturas de caminho para um grande sentido: é o encontro da sede com a água viva, é o encontro do nada com o tudo, é o encontro da pequenez com a plenitude, é o encontro da morte com a vida, que estamos a preparar.

DOMINGO III DA QUARESMA


L 1: Ex 17, 3-7; Sl 94 (95), 1-2. 6-7. 8-9
L 2: Rm 5, 1-2. 5-8
Ev: Jo 4, 5-42 ou Jo 4, 5-15. 19b-26. 39a. 40-42

Samaritana

A verdadeira pérola
não é a água
mas procurar a sede
de uma fonte
certa e abundante.
A verdadeira riqueza
não é a água,
é a sede de a querer.
É este vazio,
esta hospitalidade
de crer beber
que me convoca
a construir.
A graça que peço
é a da sede,
que a água é certa!

JP in Sem categoria 8 Março, 2026

missa

A missa, mais do que solenidade, precisa de intensidade: intensidade de paz e partilha, bem entendido…

JP in Sem categoria 6 Março, 2026

Vossa vontadinha…

Não sei se alguma fé mais míope não rezaria o Pai Nosso, em vez, com a expressão “seja feita a Vossa vontadinha…”, contemplando certo capricho divino. Ora é um outro, este “faça-se” de Deus, que espreita em tudo o que acontece e, particularmente, na natureza abundante….

JP in Sem categoria 4 Março, 2026

quando me criticam como religioso…

Ao longo da minha vida e ainda hoje, porventura mais ainda, sou criticado, explicita e implicitamente, com os olhos postos no meu ‘ser religioso’. Há tipicamente dois motivos de tais ‘setas’: a) porque há traços de incoerência entre o que professo e o que vivo; b) porque o Evangelho, nas suas exigências, quando vivido, tem um lado que desinstala e incomoda. O discernimento no acolhimento da crítica cristã está em saber se o feedback que vem é do tipo a) ou do tipo b). no meu caso tenho sentido como desoladora a circunstância a) e como consoladora a circunstância b). Confesso ainda que raramente me encontro em b) e muitas vezes me encontro em a). Muito ‘chão para andar’, portanto…

JP in Sem categoria 2 Março, 2026

resplandecer…

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 17, 1-9

«o Seu rosto ficou resplandecente como o Sol»

A transfiguração de Jesus revela com clareza a filiação de Jesus. Em chave de leitura de fé, esta cena aponta-nos o Filho de Deus. Implícito, está igualmente o convite aos que, olhando Jesus, se deixam transfigurar a eles próprios. É este também o desafio que se coloca a cada um de nós: transfigurarmo-nos, reconhecermo-nos sempre buscados e vivermos como Filhos de Deus, assemelhando-nos a Ele, nesse reconhecimento e nessa forma de viver. No limite, fruto da alegria brotante de uma vida transfigurada, o nosso rosto poderá ser “resplandecente como o Sol”. Está visto que a Quaresma, enquanto caminho de regresso a Deus, não tem a ver com rostos macambúzios…

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.

DOMINGO II DA QUARESMA

L 1 Gn 12, 1-4a; Sl 32 (33), 4-5. 18-19. 20 e 22
L 2 2Tm 1, 8b-10
Ev Mt 17, 1-9

JP in Sem categoria 28 Fevereiro, 2026

batizado

Amanhã faço anos de batizado: foi, melhor, é um mergulho amoroso e misterioso. Ficaremos sempre aquém de saber, sentir e saborear esta festa. Os batizados estão ainda a batizar-se. Estão a mergulhar no imenso amor da vida, que existe em tudo o que nos é dado, nos outros humanos, na natureza, nos confortos e nos desconfortos que tecem o tempo e o espaço que por graça vamos pisando. Vamo-nos batizando, portanto…

JP in Sem categoria 26 Fevereiro, 2026

zangado…

Em muitos casos, aferindo a oportunidade pedagógica, em vez de ‘estás zangado?’, talvez possamos perguntar, provocantemente: ‘continuas a escolher estar zangado?…´

JP in Sem categoria 24 Fevereiro, 2026

da fragilidade à promessa

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Rm 5, 12-19

«Onde abundou o pecado, superabundou a graça»

Em início de Quaresma, período de inspiração preparatória para os cristãos, fica bem tomar nota do ponto de partida e do lastro que move a própria Quaresma: a verdade da nossa condição (fragilidade) mistura-se com a confiança na ideia vivida de um sentido (fé). Não há Quaresma fecunda, como preparação para a Páscoa (para a ponte que importa) sem esse duplo sentido: somos seres de liberdade que, por fragilidade intrínseca, nem sempre acertamos o alvo (pecado) mas, ao mesmo tempo e mais relevante para a vida da fé, a nova oportunidade, o perdão e a graça, superam essa mesma fragilidade de que somos tecidos. Por isso São Paulo diz aos Romanos (e a nós mesmos) que onde abunda o pecado (a humanidade), abunda mais (superabunda) a graça (Deus). É que a verdadeira conversão, a Quaresma que nos embala, é a rendição a este amor superabundante de Deus. É esta a graça que basta…

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.

DOMINGO I DA QUARESMA

L 1 Gn 2, 7-9 – 3, 1-7; Sl 50 (51), 3-4. 5-6a. 12-13. 14 e 17
L 2 Rm 5, 12-19 ou Rm 5, 12. 17-19
Ev Mt 4, 1-11

JP in Sem categoria 22 Fevereiro, 2026

aterrando…

Viajo cada menos de avião. Mas quando aterro ocorre-me: aqui está de novo Terra para pisar,  terra para gozar e terra para ir fazendo novas todas as coisas.

JP in Sem categoria 20 Fevereiro, 2026