quando me criticam como religioso…

Ao longo da minha vida e ainda hoje, porventura mais ainda, sou criticado, explicita e implicitamente, com os olhos postos no meu ‘ser religioso’. Há tipicamente dois motivos de tais ‘setas’: a) porque há traços de incoerência entre o que professo e o que vivo; b) porque o Evangelho, nas suas exigências, quando vivido, tem um lado que desinstala e incomoda. O discernimento no acolhimento da crítica cristã está em saber se o feedback que vem é do tipo a) ou do tipo b). no meu caso tenho sentido como desoladora a circunstância a) e como consoladora a circunstância b). Confesso ainda que raramente me encontro em b) e muitas vezes me encontro em a). Muito ‘chão para andar’, portanto…

JP in Sem categoria 2 Março, 2026

resplandecer…

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 17, 1-9

«o Seu rosto ficou resplandecente como o Sol»

A transfiguração de Jesus revela com clareza a filiação de Jesus. Em chave de leitura de fé, esta cena aponta-nos o Filho de Deus. Implícito, está igualmente o convite aos que, olhando Jesus, se deixam transfigurar a eles próprios. É este também o desafio que se coloca a cada um de nós: transfigurarmo-nos, reconhecermo-nos sempre buscados e vivermos como Filhos de Deus, assemelhando-nos a Ele, nesse reconhecimento e nessa forma de viver. No limite, fruto da alegria brotante de uma vida transfigurada, o nosso rosto poderá ser “resplandecente como o Sol”. Está visto que a Quaresma, enquanto caminho de regresso a Deus, não tem a ver com rostos macambúzios…

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.

DOMINGO II DA QUARESMA

L 1 Gn 12, 1-4a; Sl 32 (33), 4-5. 18-19. 20 e 22
L 2 2Tm 1, 8b-10
Ev Mt 17, 1-9

JP in Sem categoria 28 Fevereiro, 2026

batizado

Amanhã faço anos de batizado: foi, melhor, é um mergulho amoroso e misterioso. Ficaremos sempre aquém de saber, sentir e saborear esta festa. Os batizados estão ainda a batizar-se. Estão a mergulhar no imenso amor da vida, que existe em tudo o que nos é dado, nos outros humanos, na natureza, nos confortos e nos desconfortos que tecem o tempo e o espaço que por graça vamos pisando. Vamo-nos batizando, portanto…

JP in Sem categoria 26 Fevereiro, 2026

zangado…

Em muitos casos, aferindo a oportunidade pedagógica, em vez de ‘estás zangado?’, talvez possamos perguntar, provocantemente: ‘continuas a escolher estar zangado?…´

JP in Sem categoria 24 Fevereiro, 2026

da fragilidade à promessa

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Rm 5, 12-19

«Onde abundou o pecado, superabundou a graça»

Em início de Quaresma, período de inspiração preparatória para os cristãos, fica bem tomar nota do ponto de partida e do lastro que move a própria Quaresma: a verdade da nossa condição (fragilidade) mistura-se com a confiança na ideia vivida de um sentido (fé). Não há Quaresma fecunda, como preparação para a Páscoa (para a ponte que importa) sem esse duplo sentido: somos seres de liberdade que, por fragilidade intrínseca, nem sempre acertamos o alvo (pecado) mas, ao mesmo tempo e mais relevante para a vida da fé, a nova oportunidade, o perdão e a graça, superam essa mesma fragilidade de que somos tecidos. Por isso São Paulo diz aos Romanos (e a nós mesmos) que onde abunda o pecado (a humanidade), abunda mais (superabunda) a graça (Deus). É que a verdadeira conversão, a Quaresma que nos embala, é a rendição a este amor superabundante de Deus. É esta a graça que basta…

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.

DOMINGO I DA QUARESMA

L 1 Gn 2, 7-9 – 3, 1-7; Sl 50 (51), 3-4. 5-6a. 12-13. 14 e 17
L 2 Rm 5, 12-19 ou Rm 5, 12. 17-19
Ev Mt 4, 1-11

JP in Sem categoria 22 Fevereiro, 2026

aterrando…

Viajo cada menos de avião. Mas quando aterro ocorre-me: aqui está de novo Terra para pisar,  terra para gozar e terra para ir fazendo novas todas as coisas.

JP in Sem categoria 20 Fevereiro, 2026

Espírito e evolucionismo

Nos textos que publicou nos anos 60 e 70 do século passado, Joseph Ratzinger, (Papa Bento XVI), afirma claramente que matéria e espírito não são duas realidades que se possam considerar desligadas da perspectiva dinâmica do ser criado. Por um lado, deve considerar-se que «o espírito não é um produto ocasional do desenvolvimento da matéria, mas antes que a matéria significa um momento da história do espírito». Esta formulação é reafirmada mais adiante: «o espírito não aparece na matéria como algo estranho, um outro diferente, como uma segunda substância; o aparecimento do espírito significa… que o movimento ascendente chegou à meta que lhe estava destinada». Ratzinger continua a utilizar aqui, sem hesitar, uma linguagem quasi-teilhardiana, aceitando «o reconhecimento de um mundo evolutivo, como auto-realização de um espírito criador»

JP in Sem categoria 18 Fevereiro, 2026

mais ou menos aminoácidos…

O citocromo C, uma proteína humana da mitocôndria, tem 104 aminoácidos. No macaco só 103 (ligeira diferença). Convite à evolução mas permanência de mistério. Que rubicão é este de um aminoácido?… Evolução criativa, de facto!

JP in Ciência Química 16 Fevereiro, 2026

continuidades…

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 5, 17-37

«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar»

Uma das dicotomias mais evidentes do cristianismo é aquela entre continuidade e descontinuidade. Não é possível ver, ler e relacionar-se com Jesus sem este lastro tensional entre continuar e descontinuar. Pode dizer-se de outro modo: herdar e recriar, tradição e inovação… ou manter versus revolucionar. O judaico-cristianismo é o mar desta sinfonia. Se nos cruzarmos com os evangelhos não podemos ficar indiferentes ao sentido descontinuista de Jesus de Nazaré: as suas denúncias do que está mal, as suas constantes críticas religiosas, o sentido crítico do legalismo, a forma como quase sempre “vira de pernas para o ar” o status quo. Por outro lado, Jesus assume-se como Judeu que é, encarna no fio da história e entra na viagem do tempo e do espaço. A morte por amor, e morte de cruz, pode ser lida como a verdadeira revolução (ressurreição) na continuidade do que somos (morrentes). A cada um de nós, por inspiração cristã, cabe discernir onde quebramos e onde continuamos, para dar sentido à nossa vida a à vida do mundo. Os extremos, quer personologicamente, quer socio-politicamente, serão tipicamente menos cristãos e humanos. A radicalidade que importa é outra coisa: é a radicalidade desse mesmo discernimento amoroso…

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.

DOMINGO VI DO TEMPO COMUM

L 1 Sir 15, 16-21 (15-20); Sl 118 (119), 1-2. 4-5. 17-18. 33-34
L 2 1Cor 2, 6-10
Ev Mt 5, 17-37 ou Mt 5, 20-22a. 27-28. 33-34a. 37

JP in Sem categoria 14 Fevereiro, 2026

Biologia…tecnológica

A biologia, como tal, é criada praticamente no séc XIX. Nascida, em certo sentido, como refém da física (e, portanto, altamente teorizada) transforma-se numa atividade muito prática, numa engenharia biológica, afastando-se cada vez mais da teorização…

JP in Sem categoria 12 Fevereiro, 2026