olhos dos olhos
Abrir os olhos dos olhos para me deixar penetrar pelo espanto: eis o que tanto desejo e em que sou tão frágil.
Abrir os olhos dos olhos para me deixar penetrar pelo espanto: eis o que tanto desejo e em que sou tão frágil.
Desde a filosofia antiga que os paradoxos são espelhos daquilo que somos e daquilo que procuramos. Nas palavras do existencialista e teólogo Kierkegaard “a fé é um salto no paradoxo”. Eu somaria uma ideia: conformar-se alegremente com a tensão que se vive no seio deste paradoxo recebido e assumido.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 22, 34-40
Pode ocorrer-nos, em nome de certa liberdade, a palavra e a ideia de ‘mandamentos’. “Ninguém manda em mim”, poderemos exclamar, não sem razão. Mas há mandatos que contemplam a nossa liberdade, sentido e sentidos. Há mandamentos que nos levam a encontros e ao Encontro. Os mandamentos relembrados em contexto evangélico, que dão continuidade e resignificado ao lastro judeu, quase que poderiam ser um só, pois Deus é amor. Que estas duas “sugestões mandatórias” sejam balizas de estradas de liberdade: “Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo mandamento é semelhante a este: ‘Ama o teu próximo como a ti mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”.
NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.
L 1 Ex 22, 20-26; Sl 17 (18), 2-3. 7. 47 e 51ab
L 2 1Ts 1, 5c-10
Ev Mt 22, 34-40
O perdão, a garantia amorosa, o sentido e, como tal, o Espírito em movimento, são certos (na fé)… mas não são óbvios…
A antiga frase diagnóstica de Congar, explode ainda com sagacidade: “a uma religião sem mundo, sucedeu um mundo sem religião”. Havemos de nos reequilibrar mas, do lado religioso, haja atenção para evitar as religiões sem mundo que ainda andam por aí…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 22, 15-21
As perguntas difíceis a Jesus, tipicamente engendradas em chave de cilada, são as perguntas difíceis da nossa vida. Tocam as zonas nevrálgicas da existência. No caso presente, a relação com o poder. Na cena apontada pelo Evangelho estamos diante da posse (e do poder que tal representa) do dinheiro. Mas a extrapolação para outras posses é muito possível: posse de mérito, posse de posições, posse dos outros, posse de estatutos, posse de salvação religiosa. Dar a César o que é de César (e a Deus o que é de Deus) é relevar a contingência de ter, seja o que for. Talvez se perceba melhor, a partir daqui, que amar é abrir mão, que amar é largar…
NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.
L 1 Is 45, 1. 4-6; Sl 95 (96), 1 e 3. 4-5. 7-8. 9-10a.c
L 2 1Ts 1, 1-5b
Ev Mt 22, 15-21
A verdade cristã está tipicamente numa zona tensional que não se conforma com extremismos de ‘só isto’ ou ‘só aquilo’… Por isso dizemos que acreditamos numa revelação que está a acontecer e que aponta para ‘o totalmente humano’ e o ‘totalmente divino’. Não é ‘só humano’ ou ‘só divino’.
O “carpe diem” que vale, o fruir, é, apesar de tudo, aquele que convoca o fruir dos outros e a minha parte no processo de relação com o mundo. Fruir de alimentos comestíveis, por exemplo, depende muito da minha predisposição para a abertura, para o saborear, para a espera, para o reconhecimento do valor do alimento e, crucialmente, da abertura para partilhar com outros famintos o abundante naco de pão que se me apresenta.
Como crente, não me faz sentir mal perseguir em processo gozoso um horizonte que, paradoxalmente, se afasta, mesmo quando me aproximo. É um afastamento ou escondimento misterioso, pois inclui certo ‘toque’. Uma coisa é certa: tal horizonte não se deixa meter no meu bolso…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 22, 1-14
Uma reflexão que podemos fazer, a partir desta parábola, é esta: “que convidado sou”? Certamente cada um de nós é um pouco dos dois estilos: ora ingrato, não aproveita os convites para o banquete, desperdiçando graça e aventura, ora, por outro lado, não sendo digno de convite, lança-se e aceita o convite do Senhor, desfrutando da abundância. Cientes de que somos convidados mais por graça de quem nos convida e nos pesca na encruzilhada da vida, do que pelos nossos méritos, vamos ao banquete do Senhor. O ambiente da festa é a abertura ao encontro e a fecundidade que brota… E não esqueçamos o traje nupcial, que é precisamente o traje do amor…
NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.
L 1 Is 25, 6-10a; Sl 22 (23), 1-3a. 3b-4. 5. 6
L 2 Flp 4, 12-14. 19-20
Ev Mt 22, 1-14 ou Mt 22, 1-10