a palavra Deus não é Deus
Diz bem Javier Melloni quando sintetiza: “A palavra Deus não é Deus”. Esta indizibilidade de Deus dá força à mística que importa e fragiliza – positivamente- a instrumentação das religiões.
Diz bem Javier Melloni quando sintetiza: “A palavra Deus não é Deus”. Esta indizibilidade de Deus dá força à mística que importa e fragiliza – positivamente- a instrumentação das religiões.
O tempo partilhado abriu-nos portas e abrir é sempre o que importa.
O tempo partilhado trouxe-nos como somos, cada um e com raízes no mundo.
O tempo partilhado mostrou-nos também frágeis e com limites, o que desde logo nos salva da heteroidolatria e da ‘guru-mania’…
O tempo partilhado apontou-nos novas formulações mas uma rendição clara, hoje e amanhã, à salvação do esvaziamento na ‘não palavra’.
O tempo partilhado deu-nos vida, que apenas agradecemos e devolvemos ao cosmos com a transparência que podermos ser!
Sugiro a mim mesmo, enquanto crente, não me preocupar com a evolução da fé no sentido analítico do termo, mas, tão só, com fruir o amor que paira…
Às vezes sinto-me convocado a rever a minha própria “excitabilidade” face a certos desafios. Para que se reoriente não para o simples fazer, mas antes para o “fazer bem” e o “fazer com amor”…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 28, 16-20
alguns, porém, duvidaram
Em dia de celebração cristã da Santíssima Trindade o texto de Mateus traz-nos também o dinamismo da dúvida nos apóstolos. Não há fé sem dúvida como não há realização sem desejo. O reconhecimento da dúvida nas questões pessoais e face à própria transcendência é de grande importância. A caricatura da ausência de dúvida e risco, na vida, como na fé, é uma existência categórica e rígida, normalmente pouco empática. A assunção da dúvida, por seu lado, gera abertura e crescimento, consciência de fragilidade, anotação da carência de luz e humildade. É nessa base que se pode então acreditar e viver acreditando. Ter dúvida não significa a perda de convicção e sentido. Pai, Filho e Espírito Santo, em circularidade amorosa, podem ser esse sentido, podem ser luz para cada um.
Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas.
L 1 Dt 4, 32-34. 39-40; Sl 32, 4-5. 6 e 9. 18-19. 20 e 22
L 2 Rm 8, 14-17
Ev Mt 28, 16-20
A liberdade é a conciliação da realidade com a consciência de que a vida não é fácil.
Gosto muito de uma analogia, de origem islâmica, que aponta metaforicamente para as religiões serem o copo e a espiritualidade ser o vinho. Há vários corolários que costumo extrair: um copo sem vinho pouco vale; pode beber-se vinho sem copo (a espiritualidade supera as religiões) mas um copo pode dar jeito (eventual vantagem das religiões…).
Há vários tipos de copos…e de vinhos, etc. Numa fase em que andava meio desalentado com os copos do meu vinho (religião…), mas muito consciente do valor do(s) copo(s) e até agradecido pelo vasilhame, notei interiormente o valor ‘salvífico’ do vinho, que é o que importa, na realidade. Sem vinho, até o meu criticismo, por mais autêntico e urgente que seja, fica seco… A minha ‘saída’ é, talvez como sempre, espiritual ou, se quisermos, mística.
Senti verdadeiramente esse (re)desejo: o do vinho.
(Re)pego na analogia primeira: o vinho também pode, corrido em abundância, lavar o copo com pó e outras sujidades. De mais e mais se beber vinho, o copo pode vivificar-se e fazer fluir melhor a abundância e a partilha, não tanto do vinho em si, que é por inerência excessivo, mas dos próprios copos, que existem, tão só, para servir o bom vinho.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 14, 15-21
«Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos»
No início do Evangelho de João há uma subtileza na ordem das afiramções, que pode ser relevante. Diz-se “Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos”. Notemos que se não diz: “Se guardardes os meus mandamentos, amar-me-eis”. Tomo a liberde de pegar nesta constatação de ordem semântica, para polarizar certa incondicioanlidade do amor de Deus em Jesus. Primeiro é amar, melhor, reconhecer o amor e nele mergulhar (batizar-se…). Depois então, se cumprem esses mandamentos, mandamentos precisamente do amor. É verdade que há uma dialética entre o cumprimento (mais ou menos moral) dos mandamentos e o amor realizado, mas há um toque tão subtil quanto relvante de que, aqui e sempre, o amor vem primeiro. A Páscoa, é a primazia do amor!
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
L1: At 15, 1-2. 22-29; Sal 66 (67), 2-3. 5. 6 e 8
L2: Ap 21, 10-14. 22-23 ou Ap 22, 12-14. 16-17. 20
Ev: Jo 14, 23-29 ou Jo 17, 20-26
Corre o tempo
Corre o tempo
E eu sem tempo
Para dar tempo
ao tempo que vem.
Escapa-me o tempo
Esmaga-me o tempo
E estando no tempo
Estou mais além
Entro no tempo
Dou tempo ao tempo
Colho do tempo
O que o tempo tem.
Sinto o tempo
Acolho o tempo
Navego no tempo
Mas fico aquém.
Venha mais tempo
Venha mais vento
Seja tempo com tempo
Seja tempo de bem.
O equilíbrio é uma aspiração humana mas não pode ser um equilíbrio estático. Pode inspirar-nos o equilíbrio químico: quando existe, é radicalmente dinâmico. Reagentes e produtos apresentam concentrações estáveis e ‘equilibradas’ (mesmo que diferentes) mas tão só porque as velocidades microscópicas nos sentidos direto e inverso são as mesmas. A nossa aspiração humana é a de um equilíbrio dinâmico…