qual é a pergunta?

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Pd 2, 4-9

«Prontos sempre a responder, a quem quer que seja, sobre a razão da vossa esperança»

Em tempo de Santíssima Trindade, mistério da complexidade simples de um amor crucial circulante, Pedro, seguidor de Cristo, convida-nos a oferecer as razões da nossa esperança. O trabalho dinâmico de construção pessoal e comunitária das razões da nossa fé é essencial. Sendo a fé vivida uma adesão, passe-se o pleonasmo, de fé e de vida, não são irrelevantes as razões da nossa esperança. O curioso nesta referência da epístola de São Pedro é a nuance de estarmos sempre ‘prontos a responder’. Isso implica que o gesto para com os outros pode ser mais escutante, mais levantador das perguntas do que do lado do forçamento de afirmações categóricas e militantes. Para os cristãos, Jesus é a resposta. Mas percebe-se algo muito importante e nada óbvio, bem apontado por Tomás Halík: qual é a pergunta?…

Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto

L 1 At 6, 1-7; Sl 33 (34), 1-2. 4-5. 18-19
L 2 1Pd 2, 4-9
Ev Jo 14, 1-12

DOMINGO IX DO TEMPO COMUM – SANTÍSSIMA TRINDADE

L 1 Ex 34, 4b-6. 8-9; Sl Dn 3, 52.53-54.55acd-56
L 2 2Cor 13, 11-13
Ev Jo 3, 16-18

JP in Sem categoria 30 Maio, 2026

beleza como impulso

Da natureza ao espanto da criação humana, das enormes coisas à beleza do insignificante, tudo pode ser deslumbramento impactante e agradecido. Esta beleza que esmaga, a da natureza e a da vida, ajudam-nos e inventar esperança e a fazermos do mundo um lugar onde muitos mais outros possam fruir da beleza.

JP in Sem categoria 28 Maio, 2026

liberdade para o desejo


Suponhamos um qualquer desejo. Uma das condições que nos coloca na livre indiferença em relação a esse desejo é elaborar assim, em quase-contra-natura: “se estou pronto para, diante desse desejo realizado, ficar igualmente plano e inteiro, aconteça o que acontecer, então estou ‘espiritualmente pronto’ para o receber”. É nesta linha que se percebe a radical importância de trabalhar o receber na vida espiritual. Esticando a corda, face ao desejo da vida, pode ser caminho morrer, já, por amor. Assim preparado para morte, se recebe em plenitude a vida que vem.

JP in Sem categoria 26 Maio, 2026

paz e realidade

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 20, 19-23

«a paz esteja convosco»

 Em tempo de Pentecostes os cristãos celebram o Espírito Santo. É a transcendência amorosa que sopra no tempo e no espaço. Seria (quaisi) panteísta identificar o Espírito Santo com a realidade, mas, por outro lado, vemos muitas vezes entendimentos etéreos de desproporção mística e (auto) engano, que fomentam uma esquizofrenia entre o corpo e o espírito, entre o transcendente e o imanente. Ora o que liberta e confere a Paz que Jesus quer dar é a integração amorosa das coisas e das essências, do Espírito que flui e que se torna vida real e concreta em nós. A Paz é desejo e Espírito mas vale se for real. Ela – a paz – está por construir e as nossas mãos são necessárias.

Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas.

DOMINGO DE PENTECOSTES


L 1 At 2, 1-11; Sl 103 (104), 1ab e 24ac. 29bc-30. 31 e 34
L 2 1Cor 12, 3b-7. 12-13 ou (própria do Ano B): Gl 5, 16-25
Ev Jo 20, 19-23 ou (própria do Ano B): Jo 15, 26-27; 16, 12-15

JP in Sem categoria 24 Maio, 2026

a palavra Deus não é Deus


Diz bem Javier Melloni quando sintetiza: “A palavra Deus não é Deus”. Esta indizibilidade de Deus dá força à mística que importa e fragiliza – positivamente-  a instrumentação das religiões.

JP in Sem categoria 22 Maio, 2026

tempo partilhado

O tempo partilhado abriu-nos portas e abrir é sempre o que importa.

O tempo partilhado trouxe-nos como somos, cada um e com raízes no mundo.

O tempo partilhado mostrou-nos também frágeis e com limites, o que desde logo nos salva da heteroidolatria e da ‘guru-mania’…

O tempo partilhado apontou-nos novas formulações mas uma rendição clara, hoje e amanhã, à salvação do esvaziamento na ‘não palavra’.

O tempo partilhado deu-nos vida, que apenas agradecemos e devolvemos ao cosmos com a transparência que podermos ser!

fruir o amor que paira

Sugiro a mim mesmo, enquanto crente, não me preocupar com a evolução da fé no sentido analítico do termo, mas, tão só, com fruir o amor que paira…

JP in Sem categoria 20 Maio, 2026

rever o entusiasmo

Às vezes sinto-me convocado a rever a minha própria “excitabilidade” face a certos desafios. Para que se reoriente não para o simples fazer, mas antes para o “fazer bem” e o “fazer com amor”…

JP in Sem categoria 18 Maio, 2026

o valor da dúvida

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 28, 16-20

alguns, porém, duvidaram

Em dia de celebração cristã da Santíssima Trindade o texto de Mateus traz-nos também o dinamismo da dúvida nos apóstolos. Não há fé sem dúvida como não há realização sem desejo. O reconhecimento da dúvida nas questões pessoais e face à própria transcendência é de grande importância. A caricatura da ausência de dúvida e risco, na vida, como na fé, é uma existência categórica e rígida, normalmente pouco empática. A assunção da dúvida, por seu lado, gera abertura e crescimento, consciência de fragilidade, anotação da carência de luz e humildade. É nessa base que se pode então acreditar e viver acreditando. Ter dúvida não significa a perda de convicção e sentido. Pai, Filho e Espírito Santo, em circularidade amorosa, podem ser esse sentido, podem ser luz para cada um.

Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas.

DOMINGO VIII DO TEMPO COMUM – SANTÍSSIMA TRINDADE


L 1 Dt 4, 32-34. 39-40; Sl 32, 4-5. 6 e 9. 18-19. 20 e 22
L 2 Rm 8, 14-17
Ev Mt 28, 16-20

JP in Sem categoria 16 Maio, 2026

liberdade

A liberdade é a conciliação da realidade com a consciência de que a vida não é fácil.

JP in Sem categoria 14 Maio, 2026