amar desapegadamente…

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 10, 37-42

«Quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim não é digno de Mim»

Principalmente para quem tem filhos ou filhas as palavras do Evangelho podem parecer chocantes. De facto, é difícil imaginar que se possa amar algo mais do que um filho. Pelos filhos, realmente, dão-se noites, dá-se o corpo, dá-se tudo, dá-se a vida! Poder colocar o amor por Jesus num outro patamar pode ter sentido na crença. Aqui Jesus “usa” a realidade do amor paternal e do amor maternal para colocar a fasquia da entrega transcendente como expressão de liberdade. A entrega a Deus nunca poderia ser um holocausto de diminuição. O apontamento cristão será sempre do tipo ‘quanto mais humano, mais cristão, quanto mais cristão, mais humano’. Há uma coerência humanizante e que, de alguma forma, se pode transformar num ato de fé para os pais que são cristãos: a convicção de que nesta (difícil e exigente) proposta em relação aos filhos todos, incluindo os próprios descendentes, podem ganhar. É que amando assim a pessoa de Jesus e inquietantemente repousados nos seus critérios e no seu horizonte de liberdade, ama-se mais e melhor, de facto, os próprios filhos e as filhas… Se quisermos – e generalizando para todos, tenhamos filhos ou não – estamos numa metáfora em que certo desapego (em relação aos filhos e não só), sem prejuízo de cuidado e entrega radical, pode qualificar o amor…

Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto

DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM


L 1 2Rs 4, 8-11. 14-16a; Sl 88 (89), 2-3. 16-17. 18-19
L 2 Rm 6, 3-4. 8-11
Ev Mt 10, 37-42

JP in Sem categoria 28 Junho, 2026

verdade, beleza e bem

Uma boa recomendação de consciência epistemológica, das mais clássicas que existe e vinda de Platão, poderia dar lastro aos cientistas: a verdade, o belo e o bem estão juntos (ciência, arte e ética…).

JP in Sem categoria 24 Junho, 2026

verdade em cima da mesa

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 10, 26-33

«nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se»

A frase do Evangelho de Mateus é acutilante para nos colocar centralmente na preferência óbvia pela verdade, pela luz, pelo esclarecimento, pela transparência. Uma das mais radicais fragilidades da Igreja, das famílias cristãs, dos grupos católicos e de muitas relações humanas é a ignorância vivencial deste convite pela luz em cima da mesa. O resultado é catastófrico: porventura “embalados” com leituras parciais e enganosas das escrituras (como a inspiração de ‘não dar escândalo’), tantos de nós não vamos por aqui: ocultamos, jogamos, escondemos, dissimulamos, contemos, omitmos… enganamos e enganomo-nos… Tudo rebenta, mais tarde ou mais cedo, com danos muitas vezes irreparáveis. Que as dores de gestos e heranças de omissão e finta da realidade nos recordem e façam viver tendendo à verdade, mesmo que doa…

Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto

DOMINGO XII DO TEMPO COMUM


L 1 Jr 20, 10-13; Sl 68 (69), 8-10. 14-15. 33-35
L 2 Rm 5, 12-15
Ev Mt 10, 26-33

JP in Sem categoria 20 Junho, 2026

gratidão

Estar grato e “regressar” à essência, precisamente agradecido. É mesmo por aqui.
O grato salva-se, os outros tiveram uma simples cura, provisória. Muita gente equivocada procura na religião curazinhas que valem até à próxima dor, pois a dor nos tece. A gratidão é o encontro, é a salvação. É a graça a pedir e buscar…

JP in Sem categoria 18 Junho, 2026

A quem pertenço?

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 99

«Ele nos fez, a Ele pertencemos»

Lemos no salmo 99 um verso forte: “Ele nos fez, a Ele pertencemos”. Aderir a este verso pressupõe um golpe de Fé, o de fazer corresponder à pergunta/desejo “eu, embora carente, existo” com uma aposta do tipo “fui e sou criado”. Esta frase tem, pelo menos, duas focagens possíveis: uma diz respeito a nós próprios, à nossa consciência de que somos “barro nas mãos do oleiro”, que somos seu templo e, portanto, nos devemos respeitar e cuidar, no corpo e no espírito, como tal. A outra implicação, não menos importante, é que este salmo é universal e, assim, todos os nossos irmãos são de Deus e a Ele pertencem. Filhos, cônjuges, familiares e amigos, bem como os mais distantes e até os “nossos inimigos”, pertencem a Deus. E se os outros não me pertencem, eu não os posso manipular como um joguete!…

Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto

DOMINGO XI DO TEMPO COMUM


L 1 Ex 19, 2-6a; Sl 99 (100), 2. 3. 5
L 2 Rm 5, 6-11
Ev Mt 9, 36 – 10, 8

JP in Sem categoria 14 Junho, 2026

silêncio, cegueira e caminho

Caminhamos todos (com fé – assumida – ou não) no silêncio e na cegueira. Podemos caminhar na esperança e na confiança, se nos abrirmos a esse dom. Nessa altura, a cegueira e o silêncio, que continuam, são barro nas mãos do Oleiro…

JP in Sem categoria 12 Junho, 2026

cosmologia aristotélica…

A ideia de que o universo era um todo ordenado e, por isso, racionalmente explicável, levou Aristóteles a elaborar uma complexa, mas coerente cosmologia. Segundo ela, os corpos celestes eram incorruptíveis, imutáveis e perfeitamente esféricos. Só no espaço entre a Lua e Terra havia mudança e corrupção. As estrelas estavam fixas numa esfera cristalina, por detrás da qual se situava o primeiro motor ou motor imóvel que explicava o movimento, não só da esfera das estrelas fixas, mas também das esferas nas quais estavam incrustados os planetas, a Lua e o Sol. Havia nesta concepção muita observação empírica conduzida por astrónomos capazes de calcular os equinócios e os solstícios, os eclipses do Sol e da Lua, etc. Havia também muita especulação filosófica. Os cristãos medievais adicionaram a esta cosmologia grega a teologia cristã, colocando o empíreo, ou seja, a habitação dos anjos e dos santos, por detrás da esfera aristotélica das estrelas fixas e imaginando que o inferno estava no interior da Terra. Uma tal cosmologia cristã parecia também estar em pleno acordo com a narração bíblica. Esta perspectiva integradora da filosofia e do conhecimento empírico era natural, pois existia também em outras civilizações. A cosmologia aristotélica, com muitos outros conhecimentos, científicos e não só, foi coerente, mas já não é. Nenhum problema com o dinamismo epistemológico mas a teologia tem de se saber redizer num mundo de conhecimento em evolução…

JP in Sem categoria 10 Junho, 2026

ovelha perdida

Inspira-me sempre a “ovelha perdida” do Evangelho. Ali se rasga Deus como arriscador … Deixa-nos e abandona-nos para arriscar a radical misericórdia personalizada. Desta liberdade nos alimentamos.

JP in Sem categoria 8 Junho, 2026