hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Ez 37, 12-14

«hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço»

No traço judaico-cristão, reconhecemos um Deus criador-amante, que se quer mostrar e que se quer dizer. De alguma forma, é esta a profecia que se rasga neste trecho do Livro de Ezequiel. Na fé, acolhemos um Deus-que-promete. Em tempo de Quaresma (que prepara a grande ponte entre os homens e Deus) entrevemos a morte amorosa e a ressurreição, que explicitam para os cristãos a ‘cereja no bolo’ desta profecia, deste Deus que só sabe criar amando e amar criando. E nós, por graça, podemos ser coautores da profecia…

JP in Espiritualidade Frases 28 Março, 2020

habitarei para sempre na casa do Senhor

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 22

«habitarei para sempre na casa do Senhor»

«Habitarei para sempre na casa do Senhor», proclama o refrão do 
salmo. Este convite à fidelidade (para sempre) é dos dons mais preciosos da fé. O compromisso, a fidelidade e o ‘para sempre’ podem soar a monótono e a ‘sem aventura’. Ser fiel, porém, pode ser um permanecer que conduz a saborear terrenos de abundância. As tensões paradoxais em que vivemos (e que somos!) conduzem-nos a uma possibilidade dos extremos se tocarem. Um desses jogos dicotómicos acontece com a liberdade e com o compromisso. E se ‘ficar para sempre’ fosse uma abertura? E se a obediência fosse uma liberdade?…

JP in Espiritualidade Frases 22 Março, 2020

se hoje ouvirdes a voz do Senhor não fecheis os vossos corações

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se  Slm 94

«se hoje ouvirdes a voz do Senhor não fecheis os vossos corações»

O pecado (o ‘tiro’ menos certeiro) inqiueta-nos. O afastamento do amor não nos traz paz ao coração. As palavras do salmo apelam à abertura dos nossos corações, ao rasgar de espaços interiores para ao amor de Deus. Santo Agostinho exprime de forma belíssima o confronto entre a sede de infinito e a abertura a Deus. Diz ele: “Tu, Deus, fizeste o meu coração para Ti e o meu coração não terá paz se não repousar em ti”. Confrontados com os nossos limites, com os limites dos outros, com os limites do mundo, valerá a pena repousar a nossa inquietude em Deus…

JP in Espiritualidade Frases 14 Março, 2020

o Seu rosto ficou resplandecente como o Sol

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 17, 1-9

«o Seu rosto ficou resplandecente como o Sol»

A transfiguração de Jesus revela com clareza a filiação de Jesus. Em chave de leitura de fé, esta cena aponta-nos o Filho de Deus. Implícito, está igualmente o convite aos que, olhando Jesus, se deixam transfigurar a eles próprios. É este também o desafio que se coloca a cada um de nós: transfigurarmo-nos, reconhecermo-nos sempre buscados e vivermos como Filhos de Deus, assemelhando-nos a Ele, nesse reconhecimento e nessa forma de viver. No limite, fruto da alegria brotante de uma vida transfigurada, o nosso rosto poderá ser “resplandecente como o Sol”. Está visto que a Quaresma, enquanto caminho de regresso a Deus, não tem a ver como rostos macambúzios…

JP in Espiritualidade Frases 8 Março, 2020

apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Cor 2, 1-5

«apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor»

É curioso reparar na explicitação de Paulo em relação aos seus sentimentos e emoções enquanto protagonista da atividade apostólica. Ele não se reconheceria como o ‘herói de Cristo’, sem mácula e sem dúvidas, mas o ser frágil que se faz forte pela esperança e não pela impecabilidade. “Não me apresentei com sublimidade de linguagem ou sabedoria”, diz Paulo, como que dizendo que para se ser apóstolo não é preciso dons extraordinários mas antes humildade e confiança, fé num Deus que é amor e que se quer revelar a todos, por via de cada um de nós. A experiência de seguimento cristão poderá tornar-nos, em certo sentido, ‘maiores do que nós mesmos’. Mas o ponto de partida desse crescimento é, precisamente, a consciência de fraqueza e de fragilidade.

JP in Espiritualidade Frases 8 Fevereiro, 2020

esperai com paciência a vinda do Senhor

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se II Tg 5, 7-10

«Esperai com paciência a vinda do Senhor»

A Epístola de Tiago aponta-nos para a paciência como virtude central na fé. A par da persistência, do propósito, do exercício, do trabalho, da edificação, da ação, da vontade e da disciplina, a paciência é uma espécie de cenário de fundo crucial no dinamismo da crença e, porventura, o horizonte do Advento. Quando o mundo nos esmaga, quando nós próprios nos reconhecemos carentes (mesmo que crentes), quando constatamos dentro e fora de nós mecanismos de fuga do essencial (preços de liberdades…), eclode como urgência a mãe de todas as virtudes: a paciência. A paciência é também saber pisar o deserto, é saber estar. A paciência, a bem dizer, é o distintivo da fé.

JP in Espiritualidade Frases 14 Dezembro, 2019

uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 3, 1-12

«Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’»

Esta voz de João Batista que clama no deserto é, também, um símbolo de hoje. Pelo menos em dois aspetos: 1) o grito que damos ao olhar um mundo incompleto e insuficiente, carente e ainda violento e injusto; 2) o grito que podemos dar a nós mesmos, quando nos recolhemos e constatamos a nossa própria fragilidade e incompletude. Em ambos os casos, para fora e dentro de nós mesmos, é uma atenção à mudança que marca os tempos de Advento. Endireitar as veredas, começando principalmente pelo nosso interior, é o caminho a fazer, sempre sem auto-culpabilidade e pressão, antes com doçura e certeza de aceitação…

JP in Espiritualidade Frases 8 Dezembro, 2019

o Senhor chama todos os povos à paz eterna do reino de Deus

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Is 2, 1-5

«O Senhor chama todos os povos à paz eterna do reino de Deus»

Em início de Advento, colocamo-nos na aprendizagem da esperança, na ‘fila’ de quem quer crescer. A expressão do livro de Isaías acentua a tónica numa chamada (numa ek-klesia): “O Senhor chama todos os povos à paz eterna do reino de Deus”. Observe-se a palavra “todos”, um aperitivo judaico, potenciado no cristianismo, que contempla a universalidade (a catolicidade) da proposta de encontro e comunhão. Um incentivo ecuménico e inter-religioso, a bem dizer. Que a ritualização e a pertença eclesial neste Advento sejam sempre potenciadas, resignificadas e vividas, tão só (…), para tentarmos ser melhores pessoas para o reino de Deus.

JP in Espiritualidade Frases 30 Novembro, 2019