milagre

Milagre

Não tanto

o estranho.

Mais o espanto…

Dimensão de

velha novidade.

Sinal.

Imensidão.

Abundancialidade.

Vulgar

…e banal.

Tácito e

especial.

Cúmplice do tempo.

Vibrante.

Constante…

De admirar:

agora e aqui,

não só no altar…

JP in Poemas 22 Junho, 2022

O (não) silêncio de Deus

O (não) silêncio de Deus

Não é o que 

se não explica

que implica

o dedo certo

do criador.

Deus grita

no ordinário

e assim palpita

o necessário:

o traço belo

do seu amor.

JP in Poemas 22 Abril, 2022

Espectro

Espetro

 

O espetro

é esperto

pois diz

o que é

a sua raiz.

A luz,

acertada,

dança

com matéria,

na esperança

de ir perto.

O que sai

dessa dança

é coisa

bem séria:

dançam

os átomos,

com a radiação,

o espetro

te dá

a informação.

Transporta

consigo

o que é,

donde vem,

e dados

escondidos

que vão

mais além.

O teu espetro,

óh humano,

o outro

é que sente,

não é improviso.

Sincero, a metro

teu espetro

de gente

será

um sorriso…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

acessível aqui (porventura enriquecido com uma ilustração)

 

JP in Ciência Poemas Química 22 Fevereiro, 2022

Pai nosso ontologizado

Pai Nosso ontologizado

Pai nosso

que estás aqui.

Sejamos

o pão para

cada outro.

Sejamos

o perdão

que nos queres dar.

Sejamos tudo em todos

além da tentação

de partir

… em pedaços

não inteiros

nem verdadeiros,

sombras de mal…

JP in Espiritualidade Poemas 26 Novembro, 2021

Sal da terra

Sal de terra

 

Gostava de ser

cloreto de sódio!

Sal da terra

assim dizia Vieira.

Dar sabor,

metido,

ser solução.

Sem sal,

corrupção,

sem sal,

não há paladar.

Gostava de ser

cloreto de sódio.

Ião sódio,

ião cloreto.

Assim, sal,

me meto

no mundo.

Dissolvo-me,

confundo

mas não

vou ao fundo…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

acessível aqui (porventura enriquecido com uma ilustração)

 

JP in Ciência Poemas Química 22 Novembro, 2021

um credo…

creio num Deus

que vou tateando.

Que sabe apenas

criar e amar.

Que se toca

… e que toca

… e se deixa tocar.

Que caminha

… caminhando.

Que cria, amando

… e que ama, criando.

Fornos, setembro 2019

JP in Espiritualidade Poemas 30 Setembro, 2021

Não sou o que queria ser

Sou elefante indiscreto

e queria ser um inseto.

Sou pavão exuberante

e queria ser rastejante.

Sou às vezes um trator

e queria ser uma flor…

2020

JP in Poemas 22 Setembro, 2021

Reacção

Reação

 

Sou química.

O meu desejo maior

é o de me

transformar.

Planta

que morre

cresce.

Assim acontece

se me deixo

transformar.

Sou química…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

acessível aqui (porventura enriquecido com uma ilustração)

JP in Ciência Poemas Química 16 Setembro, 2021

ontologicamente contigo

Ontologicamente contigo

 

 

Meio de meio

século

Contigo

É tempo

De meia vida.

Assim me ligo

Tecido

Em filhos de linho

Docemente

Protegido

Por amor prévio

Caminho.

Teu sorriso

Me seduz

Tuas mãos

Imanam luz

Tua alma

Santifica

Teu ventre

Me frutifica.

E eu, João,

Em nini

Comprometido

Te tomo

E retomo aqui

Como sendo

Teu querido.

Preso

Nesta liberdade

Sou por dentro

Teu marido.

Promotor

Sou promovido

Atulado

Em amor

Mais ainda

Agradecido.

 

1 de agosto de 2016

JP in Poemas 2 Agosto, 2021

Hidrogénio

Hidrogénio

 

O hidrogénio

é leve, leve.

Anda

por todo lado.

Sozinho,

melhor,

aos pares,

é bastante

utilizado.

Nesse caso,

atenção,

pois pode

dar explosão,

sendo isso

quase certo

se houver

oxigénio

por perto.

É perigoso

se provocado

(quem não é…)

como nós,

uma qualquer

ignição…

pode gerar

confusão…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

acessível aqui (porventura enriquecido com uma ilustração)

 

JP in Ciência Poemas Química 30 Junho, 2021