per-doar sempre

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 18, 21-35

Não te digo sete vezes mas até setenta vezes sete

A dimensão radical de perdão constitui marca cristã. Per-doar setenta vezes sete (mais do que quarenta e nove…), é perdoar infinitas vezes. Este precioso e original convite de Jesus significa, para cada um de nós, um enorme dom de liberdade, já que perdoar é ser livre. O cerne do perdão está no não ressentimento, está na oportunidade que continuamos a dar ao outro que nos ofendeu. Quem perdoa pode repreender, afastar-se ou até punir. Exteriormente, pode até ser duro ou tanger a violência, mas no coração de quem perdoa, como no de Jesus, há espaço para (re)acolher de novo quem se quiser aproximar por bem.

NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.

DOMINGO XXIV DO TEMPO COMUM


L 1 Sir 27, 33 – 28, 9; Sl 102 (103), 1-2. 3-4. 9-10. 11-12
L 2 Rm 14, 7-8
Ev Mt 18, 21-35

JP in Sem categoria 12 Setembro, 2026

Galileu e Deus…

Com Galileu, o cosmos medieval ficou extremamente desarrumado. Ao olhar através do telescópio, ele descobriu, além de muitas outras coisas, que por detrás das estrelas que pareciam fixas numa esfera de cristal existiam muitas outras a perder de vista, o que pôs em causa a localização do empíreo. Bertold Brecht captou admiravelmente este aspecto na sua obra Vida de Galileu Galilei, no diálogo entre Galileu e o seu jovem assistente. Tendo Galileu revelado ao jovem a existência de uma infinidade de estrelas e, por conseguinte, a inexistência do empíreo, o mesmo jovem levantou uma questão que se viria a revelar fundamental: «Onde está então Deus?» A resposta brechtiana de Galileu: «Dentro de nós, ou em lado nenhum.» Embora muito em consonância com a teologia do século XX, representa uma revolução na compreensão da relação entre Deus e o universo, uma relação que ou é relação com o humano… ou não é relação nenhuma…

JP in Sem categoria 10 Setembro, 2026

Morte fugida

A morte

Foi buscada

No sepulcro

Mas fugiu.

Não estava lá.

Mudou de lugar.

Vasculhei a morte.

Dentro e fora de mim.

Recebi notícias. 

A vida andava lá fora.

A morte estava dentro de mim

A morte fugira para ser vida

Borboleta eterna…

JP in Sem categoria 8 Setembro, 2026

corações abertos

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se  Slm 94

«se hoje ouvirdes a voz do Senhor não fecheis os vossos corações»

O pecado (o ‘tiro’ menos certeiro) inqiueta-nos. O afastamento do amor não nos traz paz ao coração. As palavras do salmo apelam à abertura dos nossos corações, ao rasgar de espaços interiores para ao amor de Deus. Santo Agostinho exprime de forma belíssima o confronto entre a sede de infinito e a abertura a Deus. Diz ele: “Tu, Deus, fizeste o meu coração para Ti e o meu coração não terá paz se não repousar em ti”. Confrontados com os nossos limites, com os limites dos outros, com os limites do mundo, valerá a pena repousar a nossa inquietude em Deus…

NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.

DOMINGO XXIII DO TEMPO COMUM


L 1 Ez 33, 7-9; Sl 94 (95), 1-2. 6-7. 8-9
L 2 Rm 13, 8-10
Ev Mt 18, 15-20

JP in Sem categoria 6 Setembro, 2026

opinação…

Sou mestre em ‘opinação’ (e um tanto abusador de tal praxis). A meu favor, e sem baixar a fasquia dum esforço necessário por falar menos e ouvir mais, a opinião não tem que representar, para quem a recebe, uma vinculação. Ganhe sempre a liberdade…

JP in Sem categoria 4 Setembro, 2026

conceitos e contextos

Os paradigmas de ensino-aprendizagem contextualizantes são incontornáveis, mas podem desprivilegiar conceitos e bases fundamentais. Se só conceptualizar é esqueleto sem corpo, só contextualizar é alforreca sem estrutura, sem sustentação, sem futuro…

JP in Sem categoria 2 Setembro, 2026

o deserto que sou

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 62

Encontramos no Salmo uma imagem muito real de nós próprios: “terra árida, sequiosa, sem água”. É uma descrição daquilo a que chamamos, também, desejo. O nosso coração tem uma sede eterna do eterno e esse desejo e essa carência move-nos e comove-nos, na fé e na vida. Quando as nossas apostas se dirigem ao provisório, ao precário, ao passageiro, a terra é regada mas logo seca com o Sol árido da própria vida. É a secura que se torna constante. Há que procurar, pois, para esta terra sedenta que somos, uma fonte, uma fonte de água viva. Para os cristãos, é Cristo esta nascente contínua, que nos rega a cada instante, que nos mata a secura, que nos torna carentes-desejantes-saciados, agora e para sempre. A água, convém notar, não elimina a sede: sacia mas permite a sede que vem. A fonte, essa sim, é a garantia da água abundante…

NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.

DOMINGO XXII DO TEMPO COMUM

L 1 Jr 20, 7-9; Sl 62 (63), 2. 3-4. 5-6. 8-9
L 2 Rm 12, 1-2
Ev Mt 16, 21-27

JP in Sem categoria 30 Agosto, 2026

abrir e sair

Se me perguntassem para eu responder com poucas palavras à pergunta “para que entras numa igreja”, eu só conseguia responder com dois verbos: para abrir e para sair.

JP in Sem categoria 28 Agosto, 2026

tentar de novo

Recomeçar é um pulsar muito proprio do cristianismo mas é radicalmente insuficiente fazer mais do mesmo e, principalmente, insistir nos mesmos equívocos. Recomeçar é um apelo criativo e de mudança.

JP in Sem categoria 26 Agosto, 2026

Maria e o sim… e o não…


No contexto religioso, Maria é apontada como a senhora do sim (à realidade oferecida…). Mas, como sabemos, a vida pede, também, nãos… Nãos que são ‘sim’ a outras coisas importantes, como descanso, qualidade de vida, requalificação de outros serviços já com compromisso, ‘sim’ a outros amores… Como se jogam sim e não na minha vida?

JP in Sem categoria 24 Agosto, 2026