400 posts no Dias Pares

Volvidas cerca de quatrocentas colocações, algum tempo depois da ‘primeira pedra’ do blog “Dias Pares”, agradeço a todos os que, com alguma paciência, passam os olhos por estas palavras. Estou consciente de que o escrever é principalmente uma purga pessoal, não raras vezes vaidosa. Com o tempo, porém, há um tónus de simples largar letras, sem agenda nem intenção. A maior autocrítica que faço a este espaço é uma assumida simplificação. A lógica das pequenas frases, dos poemas fugidios, dos textos curtos, tem um lado irrealista: é que a vida, sobre a qual escrevo, é complexa. Ao fugir da profundidade especulativa, admito render-me a que apenas com poucas palavras vou fintando as complexidades da existência humana. Um dia, quando for maior, terei este espaço tecido apenas de silêncio…

JP in Frases 6 Janeiro, 2020

agressivo silêncio

AGRESSIVO SILÊNCIO

Esbofeteaste-a
violentamente
com o teu silêncio.
Foram as não palavras
que a feriram.
Essa tua boca fechada
mordeu e arrancou a carne
do diálogo surdo.
Engoliste a chave
do teu coração.
E é essa indigestão
que mata a vossa
(não) relação!

 

2011

JP in Poemas 30 Setembro, 2018

Aquela voz

AQUELA VOZ

Sento-me

de pernas cruzadas

sem ter nada

para dizer.

Estou só

contigo.

Muitas vozes

ecoam

dentro de mim.

Distingo a Tua,

aquela voz

que me diz

que sou feliz!

n Paiva, J. C. (2000), Este gesto de Ser (poesia), Edições Sagesse, Coimbra.

acessível aqui

 

JP in Espiritualidade Poemas 2 Julho, 2018

poeta morto

POETA MORTO

Criou-se

um espaço de silêncio.

Secou a veia

e morreu

a inspiração.

O poeta escondeu-se

por falta de poesia.

Sem coisas para cantar

… ele quis escrever.

… sem respirar!

in Paiva, J. C. (2000), Este gesto de Ser (poesia), Edições Sagesse, Coimbra.

acessível aqui

JP in Poemas 30 Junho, 2018