regressar por outro caminho

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 2, 1-12
«regressaram à sua terra por outro caminho»

Em celebração de “dia de Reis”, já depois do Natal, há vestígios ainda de “conversão”, no melhor sentido dos termos, isto é, como mudança de vida. O simbolismo dos Reis Magos terem “regressado por outro caminho” é forte: significa que aquele encontro especial (com um sentido, com O sentido…) os fez mudar trajetórias. Talvez uma das maiores riquezas da ritualização espiritual seja o radical e sistemático convite à novidade, ao confronto, à mudança de trajetória, ao “regresso por outro caminho”. Na imagem e no âmago da Igreja, nem sempre vislumbramos este espírito de mudança… Era bom cultivarmos interiormente a disponibilidade de nos tocarmos, de nos co-movermos, quando visitamos alguém, quando ensaiamos novos cenários, quando nos entregamos a novos encontros. E, diante dessas novidades, das novidades da vida, alvitrar outros regressos…

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.

DOMINGO – EPIFANIA DO SENHOR – SOLENIDADE

L 1: Is 60, 1-6; Sl 71 (72), 2. 7-8. 10-11. 12-13
L 2: Ef 3, 2-3a. 5-6
Ev: Mt 2, 1-12

JP in Sem categoria 4 Janeiro, 2026

mecânica quântica e fé

A ideia de incerteza é apetitosa para uma certa teologia fácil. Ver-se-ia nessa impossibilidade intrínseca de conhecer os sistemas microscópicos, com o rigor da mecânica clássica, um lugar para o «mistério de Deus». Se nem tudo está determinado, então, pensam alguns, há aqui uma oportunidade para a intervenção de Deus. Não são recomendáveis para a teologia, porém, importações directas e imediatas da ciência. Apenas as analogias poderão ter lugar. A teologia pode e deve estar a par da novidade científica, no sentido de ajustar a sua linguagem e compatibilizar o modo de pensar e comunicar com a contemporaneidade científica, mas tal não implica «cientificar» a religião.

JP in Sem categoria 1 Janeiro, 2026

revelação e abertura

 A Revelação como semente, a acontecer na terra que somos, não corresponde a uma nova chave. Do nosso lado, a revelação precisa é de novas aberturas…

JP in Sem categoria 30 Dezembro, 2025

sair do lugar onde estou

DOMINGO dentro da Oitava do Natal

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 2, 12-13
«um anjo do Senhor apareceu a José num sonho e disse-lhe: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito»

Dentro ainda do espírito do Natal, da festa do (re)nascimento da vida, da nossa vida e da vida do mundo, o Evangelho leva-nos até à experiência de José, Pai de Jesus. José é uma espécie de ‘ator secundário’, no que diz respeito ao protagonismo, mas nada dispensável para entender o dinamismo desta história, que é uma história de salvação para muitos humanos. Entre outras abordagens, podemos focar-nos na experiência de ‘fugir’ como missão, de sair do sítio onde se está. É verdade que as maiores ameaças estão dentro de nós, mas dessas ameaças mais interiores ou de ameaças mais exteriores, há um lado da nossa missão, da nossa vida, que passa por, em certo sentido, ‘fugir’, mudar de sítio. Muitas vezes, queremos mudar de vida sem sair do mesmo lugar. Muitas vezes, expomo-nos continuamente a geografias e coreografias que verdadeiramente ‘nos ameaçam’ e não nos libertam. De que ‘ameaças’ preciso eu de fugir?…

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.



L 1 Sir 3, 3-7. 14-17a (gr. 2-6. 12-14); Sl 127 (128), 1-2. 3. 4-5
L 2 Cl 3, 12-21
Ev Mt 2, 13-15. 19-23
ou:
L 1 Gn 15, 1-6; 21, 1-3; Sl 104 (105), 1b-2. 3-4. 5-6. 8-9
L 2 Heb 11, 8. 11-12. 17-19
Ev Mt 2, 13-15. 19-23

JP in Sem categoria 28 Dezembro, 2025

Natal

Natal: façamos por “re-significar” da melhor forma os tempos, os gestos, as tradições e os sentidos deste maravilhoso tempo que passa.

JP in Sem categoria 24 Dezembro, 2025

Emanuel: Deus (quer estar) connosco

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 1, 18-24

«Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “A virgem ficara grávida e dará a luz um filho que se há-de chamar Emanuel»

Em vésperas de Natal, A leitura do Evangelho fala-nos do sublinhado da encarnação. Com a respetiva herança judaica (“tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta”), queremos festejar o extraordinário de um Deus que se faz Homem, cerne do cristianismo. A teologia e a dogmática da virgindade de Maria é bastante dinâmica e está sempre afetada pela tensão entre a fisicalidade e a simbolocidade dos acontecimentos. Para a vida de que cada um de nós e de todos, importará significar este Deus que quis e quer estar na humanidade de criou e cria. É coisa de tal forma ímpar e original, este querer estar connosco, que o seu nome é e será, precisamente, Emanuel (Deus connosco).

DOMINGO IV DO ADVENTO

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado anteriormente, neste blog


L1: Is 7, 10-14; Sal 23 (24), 1-2. 3-4ab. 5-6
L2: Rom 1, 1-7
Ev: Mt 1, 18-24

JP in Sem categoria 20 Dezembro, 2025

sorrir


Sorrir será sempre boa arma… A vida de todos nós tolera algum sorriso de alma mais pobre. Mas a essência mais perene e robusta do sorriso é quando o âmago da existência também sorri.

JP in Sem categoria 18 Dezembro, 2025

metafísica…

Na história e na filosofia da ciência há uma espécie de pulsar tensional com a metafísica: a ciência emancipa-se com o abandono das ‘questões últimas’ e com o foco no que é explicito e mensurável. Há ciência porque ‘metemos a mão na massa’, algo livres de pressupostos metafísicos. Mas, de quando em vez, a ciência percebe-se reducionista e tenta alcançar primórdios de sua essência primeira… que devolvem a própria ciência as tangências da filosofia primordial…

JP in Sem categoria 16 Dezembro, 2025