casa ou barco
Mais do que uma casa, talvez precisemos de um barco. A vida é uma viagem.
Mais do que uma casa, talvez precisemos de um barco. A vida é uma viagem.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 28, 1-10
Não está aqui: ressuscitou
A Páscoa, mais confinada numa intimidade familiar ou mais pública, em comunidades maiores, é sempre a afirmação vivida de que a morte não vence. Nenhum contratempo, nenhum vírus, nenhuma contenção, nenhuma indefinição, serão a última palavra. O Evangelho poderia ter escrito, sobre a ida ao túmulo por parte das mulheres: “a morte não está aqui, ressuscitou…”
Páscoa é ponte, passagem. Da morte à vida. É a ponte do serviço, que só o é se for muito concreto. Em tempos, tentei ser concreto com sugestões para crianças, que fossem exemplos possíveis de ‘pontes de serviço’. Hoje reconheço que podem fazer sentido, também para mim:
1- Eu tinha o poder de me armar que tive boa nota no teste mas posso servir ajudando os colegas com mais dificuldades.
2- Eu tinha (e tenho) o poder de andar de carro porque os meus pais têm carros mas posso servir a natureza e andar mais a pé.
3- Eu tenho poder de gritar e dizer disparates e até ofender mas posso servir, escutando mais e dizendo coisas agradáveis aos outros…
4 Eu tenho o poder de gerir as minhas coisas e ficar com elas só para mim mas posso servir e emprestar ao irmão, ao vizinho, à amiga.
5- Etc.
Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas.
TEMPO PASCAL
L 1: Gn 1, 1 – 2, 2 ou Gn 1, 1. 26-31a
L 2: Gn 22, 1-18 ou Gn 22, 1-2. 9a. 10-13. 15-18
L 3: Ex 14, 15 – 15, 1
L 4: Is 54, 5-14
L 5: Is 55, 1-11
L 6: Br 3, 9-15. 32 – 4, 4
L 7: Ez 36, 16-17a. 18-28
L 8: Rm 6, 3-11
Ev: Mt 28, 1-10
O Papa Francisco afirmou que está não é uma época de mudanças mas uma mudança de época. Sente-se que assim é para a cultura, para a civilização e, obviamente, para a religião. Nesta mudança de época, será possível apenas permanecer no mesmo lugar?
Para Halik não seria dramático entender a Igreja (sem fronteiras) como u-tópica (sem lugar na história). Mas tal utopia, nas suas palavras, é suficientemente sedutora e inspirativa para fazer caminho no tempo e no espaço. Recordo-me eu, a propósito, das palavras dos discípulos no Evangelho de João: “para onde iremos, Senhor, se só Tu tens palavras de vida eterna?”.
Não me interessa nada (já interessou…) o confronto com o ateísmo em sede apologética, tentando demonstrar a outros a razoabilidade da minha fé. Interessa-me mais, hoje, o confronto com o meu ateísmo interior. Nesse espaço me abro a crescer, resignifico a fé e me torno mais próximo dos meus irmãos que se reconhecem e se anunciam não crentes.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 26, 14-27
Esta mesma noite, antes de o galo cantar, Me negarás três vezes
Em domingo de Ramos os Cristãos abrem portas de uma semana longa, intensa e fecunda. A liturgia faz um relato detalhado e longo da Paixão de Jesus. Entre vários momentos relevantes, destaca-se esta afirmação de Jesus para Pedro, que somos nós: ” Esta mesma noite, antes de o galo cantar, Me negarás três vezes”. Não se trata de uma adivinhação nem tão pouco de um agoiro ou pessimismo: é Jesus que sublinha a nossa contingência, o custo da nossa liberdade. Mas se aprofundarmos o contexto, o que Jesus enfatiza, em véspera de radical gesto amoroso, é a incondicionalidade da Sua presença. É a confiança de Deus em nós que transpira. É o amor que ama e está, independentemente do que fizermos, para além das nossas realizações, superando as nossas fragilidades. E que bom é dar sentido à vida assim, confiados e confiantes neste mesmo amor, o amor da Páscoa.
Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas.
L 1 Is 50, 4-7; Sl 21 (22), 8-9. 17-18a. 19-20. 23-24
L 2 Flp 2, 6-11
Ev Mt 26, 14 – 27, 66 ou Mt 27, 11-54
Descansa, que precisas, por todos os motivos: para cuidar de ti e para, cuidada pessoa, possas servir melhor.
Há uma frase típica que me sai, pelo menos para dentro, com frequência: “aquela pessoa não quer (determinada mudança que parecia urgente para a requalificação da sua vida e das suas relações)”. Descobri um novo acrescento que me tem libertado, muito simples. Ando a dizer assim e a nuance é relevante: “aquela pessoa não quer/não pode…”. Na realidade, somos aquilo que podemos ser.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 11, 1-45
Disse-lhes Jesus: “Desligai-o e deixai-o ir”
Lázaro foi revivificado por Jesus (clarifica-se que que não é uma ressureição, já que Lázaro, adiante, como outros humanos, terá morrido… e na fé ressuscitado). Lázaro é cada um de nós. Por vezes, no trajeto da nossa vida, “morremos”. E deixamo-nos atar. Ficamos presos, imobilizados, sem andar. Podemos até cheirar menos bem, a cheiro de morte. Jesus abre o nosso túmulo, e, com a colaboração de outros, tipicamente, opera que nos sejam tiaradas as ligaduras. E então somos deixados ir, lvres de ligaduras e podendo trilhar espaços de liberdade. Podemos com vantagem perguntar-nos internamente: o que nos prende? O cristianismo, ou é este desatamento, ou não é crístico.
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
DOMINGO V DA QUARESMA
L 1 Ez 37, 12-14; Sl 129 (130), 1-2. 3-4ab. 4c-6. 7-8
L 2 Rm 8, 8-11
Ev Jo 11, 1-45 ou Jo 11, 3-7. 17. 20-27. 33b-45
Situo-me nos que interpretam a inspiração Cristã no caldo, saboroso mas ao mesmo tempo discreto, da realidade como ela é. Ali – na realidade – sopra (ou é?) o Espírito Santo. A dissolução do cloreto de sódio, a dos Evangelhos – e a de Vieira – é analogia bem forte de como as afirmações identitárias apriorísticas e metodológicas são sal inerte que, não se dissolvendo, não se deixando rodear por moléculas de água, serve para pouco ou nada…