Senhor: queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 9, 51-62

«Senhor: queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?»

Jesus e os discípulos dirigiram-se a uma povoação na Samaria, não tendo sido bem recebidos. Tiago e João, ou por amarem e quererem defender o Mestre, ou por certa imaturidade no amor, logo sugeriram: “Senhor: queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?”. Jesus, porém, repreendeu-os. Há na nossa vida e principalmente no nosso interior, laivos parecidos com a aproximação de Tiago e João. São os nossos cenários imaginados (às vezes com sequência), em que bem desejaríamos surdas vinganças e insucessos para aqueles que nos recebem mal. O primeiro passo na gestão da nossa interioridade é a assunção e mesmo a autovalidação. Curto-circuitar o que sentimos e o que na realidade somos, incluindo os nossos pensamentos, com um tamponamento moral, não é normalmente libertador. Posto isso, trabalhar interiormente e apostar neste não rancor, é estar em sincronia com Jesus.

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.

DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM

L1: 1 Reis 19, 16b. 19-21; Sal 15 (16), 1-2a e 5. 7-8. 9-10. 11
L2: Gal 5, 1. 13-18
Ev: Lc 9, 51-62

JP in Sem categoria 26 Junho, 2022

esperar que me perguntem…

Há propósitos que tenho há muito tempo e que tenho dificuldade em praticar. Um deles é este, bastante simples: esperar que o outro pergunte… Quando me distraio, não cumpro este propósito e estou a responder antes de me perguntarem…

JP in Educação Frases 24 Junho, 2022

milagre

Milagre

Não tanto

o estranho.

Mais o espanto…

Dimensão de

velha novidade.

Sinal.

Imensidão.

Abundancialidade.

Vulgar

…e banal.

Tácito e

especial.

Cúmplice do tempo.

Vibrante.

Constante…

De admirar:

agora e aqui,

não só no altar…

JP in Poemas 22 Junho, 2022

tome a sua cruz todos os dias e siga-Me

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 9, 18-24

«tome a sua cruz todos os dias e siga-Me»

Tomar a nossa cruz, ao jeito cristão, tem o seu quê de rendição e, em certo sentido, de entusiasmo. O Evangelho é sistémico e, noutras passagens, esta mesma cruz pode relacionar-se com um ‘jugo leve’ e uma companhia mansa. A cruz e o seu carrego, com mais ou menos religiosidade e simbolismo, é uma evidência antropológica que se impõe além da fé. A vida não é fácil e essa é uma constatação que não carece de fé. Os que acreditam, porém, poderão ser originais na forma como carregam a sua cruz. Nessa originalidade, pela esperança numa vida vivida que vive sempre, os Cristãos tentam seguir Jesus no estilo lutador mas aceitador, frágil mas fiel.

Nota: Este texto é reutilizado/adaptado a partir de um post já publicado neste blog

DOMINGO XII DO TEMPO COMUM

L1: Zac 12, 10-11; 13,1; Sal 62 (63), 2. 3-4. 5-6. 8-9
L2: Gal 3, 26-29
Ev: Lc 9, 18-24

JP in Espiritualidade Frases 18 Junho, 2022

ciência: how e não why…

A ciência, convém referir, autoafirma-se, também, com a clarificação dos seus limites. Mais focada na funcionalidade do mundo como objeto, a ciência responde a questões do tipo how e não do tipo why

JP in Ciência 16 Junho, 2022

dificuldade e caminho…

A ideia de que a vida é fácil, muitas vezes vertida em teorias e práticas educativas, é de sacudir. Claro que também não ajuda o avesso pessimista, de que a vida é só e principalmente negro. Inspira a máxima de Simone Weil: “não é o caminho que é difícil, é o difícil que é caminho”…

JP in Educação Espiritualidade Frases 14 Junho, 2022

Ele vos guiará para a verdade plena

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 16, 12-15

«Ele vos guiará para a verdade plena»

Temos no Evangelho de hoje uma alusão à Santíssima Trindade: ” Tudo o que o Pai tem é Meu”, diz Jesus, ao mesmo tempo que refere que o “Espírito Santo nos falará de Si próprio”, deste amor inteiro entre o Pai e o Filho. Entre outras imagens ricas do Espírito Santo, como a pomba da paz ou a água do Baptismo, temos este “qualquer coisa” que transporta um amor imenso, como o que existe entre o Pai e o Seu Filho. Se falta amor em alguma das nossas relações, ouçamos o Espírito Santo que nos convida a um coração que se doa e que recebe, como acontece entre Jesus e o Seu Pai. Convém notar que a simbologia entre Pai e filho é a possível face à indizibilidade da relação plena de Deus, mas é sempre intrinsecamente incompleta e imperfeita, já que os pais e filhos que somos ou conhecemos, podendo amar-se, (ainda) não amam como Deus ama, com tão radical gratuitidade e risco amoroso…

NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.

DOMINGO XI DO TEMPO COMUM

SANTÍSSIMA TRINDADE


L1: Prov 8, 22-31; Sal 8, 4-5. 6-7. 8-9
L2: Rom 5, 1-5
Ev: Jo 16, 12-15

JP in Sem categoria 12 Junho, 2022

Ciência para a frente e religião para trás…

Há um equívoco segundo o qual à medida que a ciência avança a religião recua. Tem razão de ser, embora como equívoco… Com o Renascimento e o desenvolvimento rápido das ciências físicas e matemáticas e de muitos instrumentos de observação, especialmente o telescópio, o conhecimento empírico ganhou crescente autonomia em relação à filosofia e à teologia. Galileu não teve apenas problemas com os teólogos, mas também com os filósofos. Os problemas que a filosofia aristotélica enfrentava com a nova scientia estão bem ilustrados na obra de Galileu “Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo”. Dada a estreita relação que se tinha estabelecido entre a filosofia aristotélica e a mundivisão cristã, era natural que os problemas da primeira arrastassem na sua queda a segunda. Foi a partir daqui que se estabeleceu o equívoco do recuo da religião com o avanço da ciência…

Ora, o que aconteceu desde o Renascimento não tem sido o recuo da religião provocado pelo avanço da ciência, mas sim um progressivo esclarecimento, que ainda hoje continua, da natureza da religião e da natureza da ciência. A religião não tem que ser para os crentes a fonte do conhecimento dos fenómenos naturais, do modo como funcionam as leis da natureza. Tal tarefa pertence à ciência. Por outro lado, a ideia de uma ciência que prometia um conhecimento objectivo e definitivo do universo e da vida deu lugar a uma concepção de ciência em que muito do que parecia definitivo se revela provisório. Apesar das pontes, possíveis e desejáveis, a autonomia de cada uma das áreas só pode ser benéfica, tanto para a ciência como para a religião, no sentido de levar a que se esclareça cada vez mais a natureza de cada uma delas.

JP in Espiritualidade Frases 10 Junho, 2022

ser religioso e justiça

Na explicitação da minha fé, também e porventura principalmente por certos pontos fracos meus, tenho vindo a acrescentar um devir de lutar pela justiça. O motivo maior é que sentiria como curta a minha aspiração à plena liberdade num sentido pessoal. A promoção da justiça empurra-me para o nós e torna estéril, senão mesmo impossível, a ideia de uma “salvação” pessoal… Talvez, também por isto, me inscreva como uma pessoa, além do crente, religiosa.

JP in Espiritualidade 8 Junho, 2022