regras cristãs
Conheço gente cristã que mais parece viver esta frase, que não consta do Evangelho: “eu vim para que tenham regras e as tenham em abundância”.
Conheço gente cristã que mais parece viver esta frase, que não consta do Evangelho: “eu vim para que tenham regras e as tenham em abundância”.
O conceito de sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável é muito importante neste tempo. A ciência e a tecnologia, em particular, mobilizam-se para atenuar os efeitos nefastos da acção do homem. Procuram-se novas formas de energia mais limpas (com menos ou mesmo sem poluição), como a energia eólica, hídrica ou solar. São estimuladas actividades de reciclagem e reutilização. Novos materiais, mais compatíveis com a natureza, são constan- temente procurados e sintetizados. Não fosse Watt inventar a máquina a vapor e estaríamos com menos dióxido de carbono antropogénicona atmosfera… mas também sem um automóvel para nos deslocarmos ou um avião para ir ao outro lado do mundo. O desafio contemporâneo, aponta para uma conciliação do homem com a natureza, mesmo à custa de menor produtividade. Fala-se, por isso, na «ciência verde»…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 20, 19-23
«a paz esteja convosco»
Em tempo de Pentecostes os cristãos celebram o Espírito Santo. É a transcendência amorosa que sopra no tempo e no espaço. Seria (quaisi) panteísta identificar o Espírito Santo com a realidade mas, por outro lado, vemos muitas vezes entendimentos etéreos de desproporção mística e (auto) engano, que fomentam uma esquizofrenia entre o corpo e o espírito, entre o transcendente e o imanente. Ora o que liberta e confere a Paz que Jesus quer dar é a integração amorosa das coisas e das essências, do Espírito que flui e que se torna vida real e concreta em nós. Neste sentido, o Espírito Santo sopra no lastro amoroso da realidade amorosa acolhida.
Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto
L 1 At 2, 1-11; Sl 103 (104), 1ab e 24ac. 29bc-30. 31 e 34
L 2 1Cor 12, 3b-7. 12-13
Ev Jo 20, 19-23
No fundo do meu ser, na mais radical humildade ou verdade de mim mesmo, só pode residir um encontro com a humanidade toda. Uma espécie de lugar para cada um e para todos, quase enamorada pela beleza humana, mais ou menos escondida, mais ou menos evidente… mas garantidamente existente. Talvez este seja o grande mergulho da fé.
Lavar a louça, no seu gesto trivial, discreto, ordinário, serviçal tem-me feito, a mim e à louça, passar de sujo a limpo, de usado a novo, de inútil ao estado de prontidão…
O professor autoritário, que está «hirto» e não sorri, que faz da sala um quartel, parece ter pouco futuro. Mas, por outro lado, o professor que se equipara de forma infantil aos seus alunos, sem distância crítica e sem bom senso, pode não passar de ser boa pessoa… O professor fascinado, entretanto, usa com peso, conta e medida a razão e os afetos e concorre com ambos para promover a aprendizagem e o crescimento integral dos seus alunos.
Quantas vezes me dei ao luxo de tomar banho sem saborear, valorizar, significar e agradecer a água que corre e me limpa?…
Julgo estar consciente das minhas limitações, mas muitas vezes me esqueço disso, com prejuízo para mim mesmo, para os outros e para o mundo. Há que treinar a abertura ao meu ser precário, há que lubrificar o convívio com a minha intrínseca insuficiência…
A eternidade é tão absurda como o fim (sempre abrupto) da vida. O tudo é tão absurdo quanto o nada. A Ressurreição é tão absurda quanto a finitude humana. Ter fé é escolher e viver o risco nesse ‘qualquer coisa mais’… da eternidade, do tudo e, no caso cristão, da Ressurreição.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 66
«Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra»
O salmo que hoje se reza nas celebrações católicas romanas tem um significado de grande potencial contemplativo, dialogante e ecuménico: «Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra». Um olhar profundamente universal, positivo e generoso sobre todas as pessoas e todas as realidades, é, desde logo, pacificador. Tomar o outro e os outros povos, não como obstáculos mas como alavancas do meu crescimento e da minha liberdade, é uma porta que se abre. O grande caminho, que vai rasgando novos horizontes no mundo, é o de me abrir ao outro, à sua cultura e à sua religião, no sentido de valorizar, na diferença, sempre no respeito radical por essa diferença, do que é “louvável” na sua existência…
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
L1: At 15, 1-2. 22-29; Sal 66 (67), 2-3. 5. 6 e 8
L2: Ap 21, 10-14. 22-23 ou Ap 22, 12-14. 16-17. 20
Ev: Jo 14, 23-29 ou Jo 17, 20-26