Deus e a realidade…
Não são muito promissoras as abordagens que focam no milagre um Deus que se acrescenta à realidade. Pelo contrário, Deus age e ‘trabalha’, na realidade, a partir da realidade e com a realidade.
Não são muito promissoras as abordagens que focam no milagre um Deus que se acrescenta à realidade. Pelo contrário, Deus age e ‘trabalha’, na realidade, a partir da realidade e com a realidade.
Tenho simpatia pelo Iluminismo, retirando-se-lhe os respetivos exageros, ainda hoje “em pagamento”… O iluminismo não ‘proíbe’ o mistério, antes desencoraja o autoritarismo aleatório de Deus, pedindo mais à teologia contemporânea. A explicação científica (com as suas inspirações iluministas), por simetria, não subtrai ao milagre mas desencoraja o milagreirismo…
Às vezes falamos (ou gritamos?) como se não tivessemos noção dos limites da nossa voz. Onde terminará? Será sempre limitada? Inspiram-me os místicos em duas frentes sobre o sentido da voz: 1) convergir para que a nossa voz seja uma melodia da transcendência amorosa (já não a minha voz, apenas); 2) dar voz à grande força do silêncio…
O cerne da comunicação, sempre precária e tateante, é compreender que comunicar é comungar. Percebe-se porque comun(gamos)icamos ainda tão mal…
Levinas, filósofo judeu, resume a sua convicção filosófica de forma inspiradora, estabelecendo uma seta ética: “há algo mais importante do que a minha misteriosa vida: a vida do outro!”
A Segunda Lei da Termodinâmica pode ser assim enunciada: a entropia de um sistema isolado aumenta. Numa abordagem qualitativa, podemos associar à entropia o grau de desordem dos sistemas. Abordemos os conceitos de ordem e desordem na sua acepção mais simples: dizer que a entropia está a aumentar é dizer, em certo sentido, que a desordem está sempre a aumentar. Estranhamos tal, pois observamos transformações espontâneas com aumento de ordem, como a formação de cristais (partículas que ficam agregadas e organizadas a partir da situação de dissolução em água), ou a própria formação de um bebé no útero da Mãe (hino da organização celular). Porém, a segunda lei não afirma que num dado sistema a entropia não possa diminuir (aumento de ordem). Fala de um sistema isolado. Então, se sistemas se organizam é porque as suas vizinhanças se desorganizam, de tal forma que, no conjunto «sistema e vizinhanças», de facto, a entropia (desordem) aumenta. No caso dos cristais, as moléculas de água podem desorganizar-se no processo de formação do cristal. No caso do bebé, podemos dizer, com algum humor, que, na vizinhança da gravidez, o desgraçado do marido se desorganiza fortemente ao ir comprar requeijão às 3 horas da madrugada para satisfazer um desejo da esposa grávida amada…
A ingratidão é quase sempre um regresso a mim mesmo, autocentrado, potencialmente vitimista e afastado, claro está, da gratidão.
É bonito e talvez seja Páscoa achar que nunca ninguém nos deve nada.
O pouco que se dá, a ser dado, é dado, não tem retorno.
Jesus fê-lo impecavelmente ao amar os homens até à cruz (na cruz importa sempre o amor e não a dor…) e vale a pena imitá-Lo nessa gratuitidade.
Por isso os Pais aos filhos, os filhos aos Pais, os padrinhos aos afilhados, os amigos aos amigos e Jesus aos homens, dão sem expetativa e sem esperar nada em troca, aceitando cada um como cada qual. Esta Páscoa te desejo!
O que Jesus faz na cruz, que é um pico de amor, mais ainda do que um pico de dor, é um grande sim à realidade, como ela é. É o primado da aceitação concentrado num único sonho que nos supera: o de sarar feridas com entregas!
Sabedoria é uma palavra onde a ciência bebe etimologicamente. Tanto tange a origem sapere como algo relacionado com ‘sabor’. Confronta-nos com a evidência de que conhecer, também pela via científica, é saboroso…