Cobre

Cobre

 

Com sulfato

emparelhado,

em pedra

ou solução,

é belo de

azul

metal,

descrição.

Condutor

abraçado

isolante,

corrente

aqui

aparece

adiante.

Maleável,

valioso,

industrial,

abundante.

Ancestral

precioso

em moedas,

vibrante,

polido,

brilhante.

Não sei quem

é mais duro,

se sou eu

ou se és tu.

Gosto mais

do meu nome

pois teu

é feio

…é Cu…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

acessível aqui (porventura enriquecido com uma ilustração)

 

JP in Ciência Poemas Química 26 Agosto, 2020

átomos “gulosos”

Por vezes, podemos arriscar alguma antropomorfismo da matéria para sermos mais claros (ainda que menos rigorosos, como às vezes nos impõe a didática…). Há um conceito importante em química que diz respeito à afinidade electrónica. Este conceito relaciona-se com a energia posta em jogo, quando um átomo recebe um electrão. Se muita energia se libertar nesse processo de captação eletrónica, então a afinidade electrónica (uma medida da tendência desse átomo para chamar a si electrões) é grande. Se, pelo contrário, pouca energia se libertar (ou, como por vezes acontece, se for preciso fornecer energia para o átomo «suportar» mais um electrão), então a afinidade electrónica é pequena. Também noutras palavras e contextos a palavra afinidade tem este significado: ter afinidade com alguém é gostar e querer esse alguém. Falar em «paixão» dos átomos para se ligarem, por exemplo, observando que uns têm mais apetência para se ligarem do que outros, para determinadas espécies químicas, pode ser esclarecedor. O conceito de electronegatividade, que se relaciona com a afinidade electrónica e diz respeito à tendência dos átomos para chamarem a si electrões na ligação química, pode ganhar, do ponto de vista pedagógico, com a palavra «guloso». O átomo de flúor é muito guloso de eletrões (tem grande electronegatividade… e grande afinidade electrónica) e, quando se liga com outro, como o hidrogénio, por exemplo, menos guloso, formando uma molécula de fluoreto de hidrogénio (HF), dá origem a uma molécula polar (com pólos). As cargas negativas (respeitantes aos electrões) estão mais tempo do lado do flúor, que é muito guloso de electrões, do que do hidrogénio, que é menos «guloso»… Como é interessante (e quase humanizante) a interpretação química da natureza…

JP in Ciência Química 20 Agosto, 2020

cerne concetual da química

Há um eixo concetual da química que torna esta ciência tão necessária quanto fascinante: o que tendemos a fazer, é interpretar as propriedades macroscópicas das substâncias (e das respetivas transformações), com base no dinamismo corpuscular que constitui dinamicamente a matéria. Por exemplo, se um material é duro e/ou se funde a temperaturas altas, é de supor que os corpúsculos que o constituam estejam fortemente ligados… Como é interessante tentar tatear como funcionam as coisas!…

JP in Ciência Química 30 Junho, 2020

Deus terá arriscado conviver com certo “acaso”

Entre os meandros do acaso e da necessidade Deus vai-se revelando e criando. O ‘acaso’, não é um inimigo da hipótese de Deus nem da teologia. Bem entendido, o acaso é até o garante de um Deus que não quer determinismos rígidos. Certo ‘acaso’, é a garantia do risco da fé de Deus em nós e na Sua criação…

JP in Ciência Espiritualidade Frases 4 Junho, 2020

ciências cognitivas e teologia

As ciências cognitivas lançam novos desafios à compreensão do ser humano e da sua experiência religiosa, com base no estudo do cérebro e da mente. A teologia só tem a ganhar se levar a sério os novos dados que lhe vêm da ciência. Os teólogos não se poderão limitar a achar interessantes as teorias científicas, como se não tivessem de as estudar e levar a sério enquanto teólogos. A teologia deve retirar das teorias científicas fundamentadas as implicações que introduzam modificações no próprio discurso teológico e na compreensão que o cristianismo tem de si mesmo. De outra forma, os teólogos poderão estar a fazer um discurso cada vez mais irrelevante e a criar conflitos desnecessários com a ciência em particular e com a cultura, em geral. Depois, convém sempre sublinhar, teologia não é Fé. A tudo falta uma pitada de vivibilidade…

JP in Ciência Espiritualidade 10 Março, 2020

tudo em todos

Há uma analogia matemática que nos pode ajudar a aproximar da ideia de que tudo é sagrado, de que há um certo “tudo em todos”: Deus é uma esfera infinita com o centro em todos os pontos e sem círculos (sem limite).

JP in Ciência Espiritualidade 28 Fevereiro, 2020

o ‘início’ da Criação…

O Livro do Génesis não pretende narrar a criação da Humanidade a partir de um casal original, Adão e Eva, no sexto dia da criação, mas apenas que a Humani- dade, tal como todo o universo, é uma criação de Deus, qualquer que tenha sido o processo evolutivo que deu origem aos seres humanos. Não estamos a falar de origens mas de criação… A aceitação do evolucionismo pela teologia cristã não resolveu, porém, algumas questões teológicas como, por exemplo, o pecado original e o «momento» do início da Humanidade na longa cadeia evolutiva dos primatas…

Sobre o início da humanidade, Joseph Ratzinger procura uma explicação com base numa relação dialogal. Diz ele, pesando as palavras e entreabrindo uma fresta da janela: «A argila tornou-se ser humano no momento em que uma criatura, pela primeira vez, mesmo que de forma muito velada, foi capaz de formar uma ideia de Deus. O primeiro tu que o ser humano — por mais balbuciado que fosse — dirigiu a Deus é o momento em que o espírito se levantou no mundo. Aqui foi ultrapassado o rubicão da criação humana»

JP in Ciência Espiritualidade 10 Fevereiro, 2020

Ciência ou poesia

Ciência ou poesia?

 

Entre focos de prazer:

ciência ou poesia,

pergunto, o que fazia

se tivesse de escolher.

Ciência e poesia…

acho que me apetecia

fazer desta maneira:

as duas na algibeira!

A ciência escolheria

Se quisesse mais rigor,

com saber eu saberia

como cresce uma flor.

E olhando essa flor

a colhesse com alegria

e oferecesse em amor,

embrulhava em poesia…

Se em vez de perceber

eu quisesse antes dizer

o que a fórmula não diria,

escolheria então a poesia…

Não vou escolher, mas juntar

Trago ciência e poesia.

Ciência é luz a brilhar,

poesia é luz no meu dia.

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

acessível aqui (porventura enriquecido com uma ilustração)

 

JP in Ciência Poemas 30 Janeiro, 2020

Laboratório químico

Laboratório químico

 

Uma pipeta

pipeta a

bureta.

Outra

bureta

torneira

na mão.

Pego no

copo

faço solução,

mexo

com a

vareta

em rotação.

Aqueço

no disco

ou no

bico a gás

dissolvo

e verto

para uma

matráz.

Agito assim,

diluir solução

metendo

com água

para um

simples balão.

É lindo

ver e pensar

mas sempre

seguro,

com muita

atenção.

A química

andando

com muita

emoção…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

acessível aqui (porventura enriquecido com uma ilustração)

 

JP in Ciência Poemas Química 28 Novembro, 2019

Tabela Periódica

Tabela Periódica

 

Que Tabela!

Quem pintou

esta tela?

Quem a criou?

Que tabela!

Quem sou,

no meio dela?

Onde estou?

Basta uma vintena

de teus elementos

para compor a cena

dos meus pensamentos.

Carbono e outros que tais

cálcio, ossos, dentes…

elementos iguais

combinações diferentes…

Que tabela

engraçada

o russo

inventou.

Deixou

-lhe

buracos

que a ciência

ocupou.

Há colunas

e linhas

sem ser

linear.

E o mundo

criado,

contando comigo,

tem lá seu lugar

tem lá seu abrigo…

in Paiva, J. C., Quase poesia quase química (2012) (e-book). Lisboa, Sociedade Portuguesa de Química.

acessível aqui (porventura enriquecido com uma ilustração)

 

JP in Ciência Poemas Química 12 Novembro, 2019