sorrir
Sorrir será sempre boa arma… A vida de todos nós tolera algum sorriso de alma mais pobre. Mas a essência mais perene e robusta do sorriso é quando o âmago da existência também sorri.
Sorrir será sempre boa arma… A vida de todos nós tolera algum sorriso de alma mais pobre. Mas a essência mais perene e robusta do sorriso é quando o âmago da existência também sorri.
Olhando para uma árvore gigante, com a copa recortada perguntei-me: quem podou aquela beleza? Trabalhei duas respostas, dois caminhos. Uma das vias dizia-me, e bem: “o evolucionismo podou, na racional compreensão da luta pelo Sol, rumo à fotossíntese eficaz”. Outra via me dizia, com menos palavras, mas mais espanto: “foi a beleza, a gratuita beleza a podou.” Este esmagamento estético, embrulhado em mistério, confortou-me o andamento. A imponência do belo ganhou.
Parece-me que talvez haja uma porta universal, incluindo para os meus amigos filosoficamente materialistas, no que diz respeito à dádiva e à bênção: reconhecer que nos é estendido o que vem, neste tempo e neste espaço, é bem-dizer. Reconhecer que nos é oferecido o que tecemos, importando pouco se pela Terra, se por um totalmente-Outro, se por-coisa-nenhuma…
O fruto mais gratuito das boas paragens é o próprio processo de abertura e captura da surpresa. Assim é na vida corrente, também…
Há convocatórias de que ninguém se safa: trabalho, risco, dilema e dificuldade. Aceitar a chamada e responder com alegria, é uma estrada de liberdade.
Quantas vezes me dei ao luxo de tomar banho sem saborear, valorizar, significar e agradecer a água que corre e me limpa?…
A atenção requere tempo e como eu tenho a mania de não gostar de perder tempo, tenho desqualificado a minha atenção…
Eu seria mais livre se o meu controlar e o meu conduzir dessem asas à entrega e à fruição…
Albert Camus, ao expressar que “a moderação não tem que ser morna”, oferece-nos um trilho que contempla a radicalidade (ligação às raízes) e o equilíbrio sistémico…
Para a crença pagã os trovões eram a ira divina. Hoje sabemos que há electroestática que explica… Em salto metafórico, os trovões da nossa vida não são dramas: a existência madura e adulta concilia-se com esses feixes abruptos e pode até reconhecer-lhes, não sem estrondo ou mesmo dor, certa beleza luminosa…