transcendência de Jesus
A presença de Jesus nos evangelhos incorpora mas supera a visão, a ação e o comer. Por isso, para aqueles que acreditam e vivem uma relação com Ele, é transcendente.
A presença de Jesus nos evangelhos incorpora mas supera a visão, a ação e o comer. Por isso, para aqueles que acreditam e vivem uma relação com Ele, é transcendente.
Com Jesus de Nazaré deu-se, melhor, está a dar-se, o que poderíamos chamar uma antropologização das escrituras. As profecias anunciadas (dar a vista aos cegos…) realizam-se. O Livro importa mas é na medida de Alguém que se reabre: na vida de Cristo… e na nossa vida.
A fé como procura de sentido é um trilho digno de registo, mas pode ser curto e individualista. Talvez a fé seja a resposta ao transcendente face a uma realidade coletiva por transformar. Importa, na comunhão, a santidade de Deus… não tanto a minha…
O teólogo Balthasar tem uma expressão-síntese, tão simples quanto fulcral, tão cristã quanto universal: “Deus espera por todos”. Esta confiança pode ser mote existencial de vida e alimenta uma esperança comum e radicalmente aberta.
Ter fé está muito para além de acreditar na existência de Deus. Uma criança que está ao colo da sua Mãe não questiona a sua existência, antes goza o acolhimento maternal. A fé tem algo de semelhante: muitas vezes, o «colo de Deus» vem antes da «confirmação» da Sua própria existência…
O Deus em quem os cristãos acreditam e confiam e a quem, por isso, dão crédito, pode valer a pena. Os crentes não sabem explicar muito sobre o que a Ele se refere, mas o pouco que sabem é suficiente para fundamentar a sua fé. Mais do que saber explicar, procuram saber viver de acordo com os valores cristãos. Deus tem mais a ver com a sabedoria do que com o saber. Acreditar em Deus relacional, pessoal e comunitariamente, na Igreja Católica (também noutras denominações, com toda a certeza), dá aos cristãos paz e sentido para a vida. Por isso mesmo, dão crédito a Deus e à Igreja, apesar da inalcancibilidade total do primeiro e das fragilidades da segunda… O fundamento desta crença é, pois, simultaneamente, racional e relacional.
Há quem não aprecia o conceito de “cultura”, precisamente por ser vago e poder dizer quase tudo. Mas não encontro melhor semântica para esta geografia cruzada de saberes e de vivências. Mais ainda, enquanto crente judaico-cristão, vejo com grande dificuldade a possibilidade de extrair com proveito algo da potencialidade bíblica, sem a respetiva configuração cultural. E como membro de uma Igreja, não consigo igualmente vislumbrar como será possível caminhar e estar atento aos sinais dos tempos, sem um mergulho no empapado cultural em que nos movemos. Cultura e Fé, pois claro!
Nem a não certeza da fé é uma desgraça pois há graça neste processo de acreditar ser precisamente… um processo…uma graça…
A fé é um apoio vivente na convicção de que a carência, a dor, o desassossego, a inquietude, a incompletude e a morte, podem gerar abertura ao Espírito…
Se me perguntassem de que fios é feita a minha fé, escolheria três: a graça (prévia), a necessidade e o desejo.