Nietzsche se vivesse hoje…
Friedrich Nietzsche acreditaria num Deus que dançasse. É também por isto, porque entendo que a cultura cristã de hoje pode bem dançar com Deus, que intuo que Nietzsche, se vivesse hoje, era bem capaz de ser cristão…
Friedrich Nietzsche acreditaria num Deus que dançasse. É também por isto, porque entendo que a cultura cristã de hoje pode bem dançar com Deus, que intuo que Nietzsche, se vivesse hoje, era bem capaz de ser cristão…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 4, 12–23
«eles deixaram logo as redes e seguiram-No»
A propósito desta descrição dos seguidores próximos de Jesus, fixemo-nos na prontidão da resposta ao apelo, que é sempre um convite tão mobilizador quanto libertador. A expressão “deixou logo as redes” pode ser inspiradora. Estar prontos para deixar o que pode ser deixado e atender os outros: deixar o ritmo de trabalho para atender melhor os filhos, deixar de ter algo, para partilhar, deixar um rancor para perdoar, deixar a televisão para conversar, e muitos mais auto-recados promissores, que esperam vida para se realizarem…
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
L 1 Is 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4); Sl 26 (27), 1. 4. 13-14
L 2 1Cor 1, 10-13. 17
Ev Mt 4, 12-23 ou Mt 4, 12-17
Às vezes também eu me pergunto, miserável crente, para quê meter Deus na equação. Mas a vida experimentada vai-me devolvendo que se amplia algo nos homens com a abertura espiritual…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 1, 29-34
«eis o Cordeiro de Deus»
A expressão “eis o cordeiro de Deus” é atribuída a João Batista, o dizente de Jesus. Os Judeus tinham o hábito de matar um cordeiro como expressão sacrificial a Deus. Jesus como cordeiro, convoca continuamente as raízes judaicas mas apresenta algumas descontinuidades relevantes: não precisamos mais de sacrifícios de animais para agradar a Deus (o próprio Cristo simboliza essa entrega) e o sacrifício que importa para Deus é o amor que a vida de Jesus testemunha. “Cordeiro de Deus” é uma frase frequente na eucaristia e aponta para celebrar a mais nobre e inspiradora entrega, aquela de morrer por amor. Sublinha-se esta essencialidade à volta da entrega de Cristo, que nos pode tornar precisamente seguidores de Cristo, precisamente cristãos…
NOTA: Este artigo é repetido/adaptado de um outro já publicado neste blog
L 1: Is 49, 3. 5-6; Sl 39 (40), 2 e 4ab. 7-8a. 8b-9. 10-11ab
L 2: 1Cor 1, 1-3
Ev: Jo 1, 29-34
Todos sabemos da importância das questões ambientais. A sustentabilidade do planeta está ameaçada supostamente também pelas múltiplas agressões continuadas da espécie humana. Uma das consequências mais evidentes é o aquecimento global, principalmente pela emissão de dióxido de carbono resultante de fábricas e transportes que suportam a actividade industrial e a vida dos nossos dias. A emissão de outros poluentes para a atmosfera, rios, solos e mares provoca danos adicionais. Esta circunstância determina a destruição da flora e da fauna, a falta de qualidade no ar que respiramos e na água que bebemos e, em síntese, a ameaça à biodiversidade e a perda da qualidade de vida.
A liberdade é uma aspiração válida e faz síntese do nosso sonho mais profundo. Mas não há liberdade sem (auto)consciência. Por isto, quem quer ser livre (todos nós), há de treinar a consciência, de si mesmo, dos outros, da natureza … e do que mais possa existir…
A angeologia é complexa e plena de quasi-contradições. Esses mensageiros paradoxais apresentam um potencial pedagógico protetivo, como se conhece no famoso “anjo da guarda”. O apontamento mais fecundo, porém, seria aquele de, em atos, ‘sermos anjos uns dos outros…’
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 3, 13-17
este é o meu Filho muito amado
Por ocasião do batismo de Jesus bem que se poderia festejar, muito particularmente, a voz que ecoa: este é o meu Filho muito amado. Com efeito, para os cristãos, é crucial assumir a fidelidade de Jesus, isto é, a sua consiência assumida profundamente de ser filho, de ser amado. O que nos falta na fé, convenhamos, é este reconhecimento de sermos amados, profundamente amados. Tal batismo precisamos, tal mergulho bastaria…
L 1: Is 42, 1-4. 6-7; Sl 28 (29), 1-2. 3ac-4. 3b e 9b-10
L 2: At 10, 34-38
Ev: Mt 3, 13-17
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 2, 1-12
«regressaram à sua terra por outro caminho»
Em celebração de “dia de Reis”, já depois do Natal, há vestígios ainda de “conversão”, no melhor sentido dos termos, isto é, como mudança de vida. O simbolismo dos Reis Magos terem “regressado por outro caminho” é forte: significa que aquele encontro especial (com um sentido, com O sentido…) os fez mudar trajetórias. Talvez uma das maiores riquezas da ritualização espiritual seja o radical e sistemático convite à novidade, ao confronto, à mudança de trajetória, ao “regresso por outro caminho”. Na imagem e no âmago da Igreja, nem sempre vislumbramos este espírito de mudança… Era bom cultivarmos interiormente a disponibilidade de nos tocarmos, de nos co-movermos, quando visitamos alguém, quando ensaiamos novos cenários, quando nos entregamos a novos encontros. E, diante dessas novidades, das novidades da vida, alvitrar outros regressos…
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
DOMINGO – EPIFANIA DO SENHOR – SOLENIDADE
L 1: Is 60, 1-6; Sl 71 (72), 2. 7-8. 10-11. 12-13
L 2: Ef 3, 2-3a. 5-6
Ev: Mt 2, 1-12
A ideia de incerteza é apetitosa para uma certa teologia fácil. Ver-se-ia nessa impossibilidade intrínseca de conhecer os sistemas microscópicos, com o rigor da mecânica clássica, um lugar para o «mistério de Deus». Se nem tudo está determinado, então, pensam alguns, há aqui uma oportunidade para a intervenção de Deus. Não são recomendáveis para a teologia, porém, importações directas e imediatas da ciência. Apenas as analogias poderão ter lugar. A teologia pode e deve estar a par da novidade científica, no sentido de ajustar a sua linguagem e compatibilizar o modo de pensar e comunicar com a contemporaneidade científica, mas tal não implica «cientificar» a religião.