transcendência de Jesus
A presença de Jesus nos evangelhos incorpora mas supera a visão, a ação e o comer. Por isso, para aqueles que acreditam e vivem uma relação com Ele, é transcendente.
A presença de Jesus nos evangelhos incorpora mas supera a visão, a ação e o comer. Por isso, para aqueles que acreditam e vivem uma relação com Ele, é transcendente.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 24, 13-35
Os discípulos de Emaús somos nós, caminhantes em descoberta, ao lado da paradoxal companhia, óbviamente (in)discreta… A Páscoa é sinal de passagem e de transformação de vida, como quando uma lagarta vira borboleta e trata de colorir o mundo. Isso fervilha o coração. Assim “borboletemos” nós…
Este texto é adaptado em parte ou na totalidade de palavras anteriores já publicadas
L 1 At 2, 14. 22-33; Sl 15 (16), 1-2a e 5. 7-8. 9-10. 11
L 2 1Pd 1, 17-21
Ev Lc 24, 13-35
Os apóstolos que “viram” o Senhor não são dispensados da fé. É a sua abertura a essa mesma fé e, principalmente, a sua mudança de vida, que fazem a ressurreição acontecer.
A fé não elimina mas ilumina a dor humana…
Morrer
Não quero
Senão morrer!
ser trigo,
ser nada,
ser tudo.
Quero ser
somente (semente?),
vazio,
cheio
de mundo.
Eu quero
ser silêncio,
dar nada (que sou),
morrer.
Quero parar,
deitar-me,
passivo,
em paixão,
ao lado
dos homens,
sem respirar.
Inspirando,
inspirado
pelo amor.
Ter fé está muito para além de acreditar na existência de Deus. Uma criança que está ao colo da sua Mãe não questiona a sua existência, antes goza o acolhimento maternal. A fé tem algo de semelhante: muitas vezes, o «colo de Deus» vem antes da «confirmação» da Sua própria existência…
Thomas Halik, em a “A noite do confessor” diz-nos que a fé é paradoxal e intrinsecamente dialética e escrita em chave de síntese: nem o iluminismo racional nem romantismo redondo. Não se trata de isto ou aquilo, mas do paradoxal ‘isto e aquilo’…
Foi sempre das pequenas e frágeis coisas (pedaços de pão e peixe, sementes de mostarda, grãos de trigo, esterilidades…) que se fez, na senda bíblica, o Reino de Deus. Inspirador para quem, como eu, tem muito a crescer no profundo acolhimento da sua pequenez e da fragilidade do mundo…
Sou honestamente compreensivo face aos meus amigos em retirada das “coisas de Deus”. Eu próprio partilho o dilema, mais ou menos traumático, de propostas religiosas com muito ruído. Mas invoco o insuspeito Nietzsche que, perdoe-se-me o salto, coloco em confronto com palavras do Evangelho. Escreveu Nietzsche: “o desaparecimento de uma ilusão não proporciona necessariamente uma verdade”. Dizia o apóstolo Pedro, a propósito das complexidades de seguir o Mestre: “para onde iremos, Senhor, se só Tu tens palavras de vida eternal?”