Páscoa quântica
Na Páscoa quântica, que a “ponte” entre a escuridão e a luz, abra a porta a fotões da luz de Cristo na nossa vida…
Na Páscoa quântica, que a “ponte” entre a escuridão e a luz, abra a porta a fotões da luz de Cristo na nossa vida…
A Ressurreição é muito mais do que um acontecimento. É um processo… Mais do que exterior – embora seja dádiva – importa a ressurreição que vem de dentro… Entendemos a maioria dos processos quando os tomamos por ontológicos. O mais crucial da fé cristã é que Jesus está a ressuscitar em nós…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 24, 13-35
«pensando que era o jardineiro»
Um dos traços comuns das aparições de Jesus é o facto de Ele aparecer, muitas vezes, “disfarçado”. É o caso do diálogo travado com Maria Madalena. Ela julga estar a falar com um jardineiro e com ele desabafa o seu desalento e a sua preocupação. É questão teológica curiosa e complexa esta de um Deus que quase se esconde. Revelar, aliás, é ir tirando o véu… Traduzível na vida dos cristãos é a pergunta metafórica: quantos jardineiros se atravessam sem que os vejamos, anunciando a ressurreição?
Vergo-me
Vergo-me
em silêncio
face
ao espectáculo
da dor.
Tiro sandálias
engulo sílabas
verto lágrimas
… e páro!
Fico,
em silêncio,
cravado
onde estou.
Todo inteiro,
agarrado.
Abraço
aquele tempo,
tão instante
quanto eterno
… e permaneço,
vergado,
… em silêncio!
28 de Janeiro de 2011
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se At 2, 42-47
«viviam unidos e tinham tudo em comum»
As primeiras comunidades cristãs eram convidadas a uma vida de partilha e de unidade. Na verdade, esta era (este é!) o fruto da Páscoa… Ter em comum é tão libertador quanto difícil de concretizar. É impressionante constatar, a título de exemplo, o número de ‘corta-relvas’ que existem numa rua de casas com jardins, sendo que um só, partilhado, sobraria… O excesso de bens que possuímos, ainda por cima, em muitos casos, à custa de extorsões da natureza que, pelo menos indiretamente, afetam os mais pobres, são uma provocação adicional para esta Páscoa da partilha.
Não me sai da cabeça esse cartoon engraçado que circula, com qualquer coisa deste tipo: um globo em covid19 que tem um diabinho a dizer “fechei-te as igrejas todas” e um “Deus” que responde “eu abri uma igreja em cada casa”. Dará que pensar sobre a revalorização da Igreja doméstica; certo retorno às primeiras comunidades; recuperação de uma dimensão mais interiorizada da vida espiritual. Criticaremos uma civilização que queira apenas e nostalgicamente voltar a ‘uma vida normal’ (o que será isso?). Mas teremos de refletir, também, sobre a Igreja (povo de Deus em caminho, atento aos sinais dos tempos…). Compreende-se a saudade sacramental mas, assim como será curto o mundo voltar ao que era, a Igreja será pouco evangélica (portadora de novidade) se se limitar a voltar a ser o que era…
Sempre desejei ensaiar um “Pai Nosso” em versão responsabilizante. Seria uma oração incompleta, porque, a menos do “Nosso”, lhe falta maior grau de sublinhado do ‘nós’ e apresenta uma assumida desproporção da expressão “eu”. Mas seria assim:
Pai Nosso, que estás em mim.
Reconheça eu a Tua bondade existente.
Acolha eu os Teus critérios
em tudo aquilo que realizar, hoje e sempre.
Deixe-me eu perdoar pelo Teu perdão
assim inspirador para o perdão aos outros.
Saiba eu viver pleno na tentação
promovendo o Bem, que és Tu.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 28, 1-10
Não está aqui: ressuscitou
A Páscoa, mais confinada numa intimidade familiar ou mais pública, em comunidades maiores, é sempre a afirmação vivida de que a morte não vence. Nenhum contratempo, nenhum vírus, nenhuma contenção, nenhuma indefinição, serão a última palavra. O Evangelho poderia ter escrito, sobre a ida ao túmulo por parte das mulheres: “a morte não está aqui, ressuscitou…”
Páscoa é ponte, passagem. Da morte à vida. É a ponte do serviço, que só o é se for muito concreto. Em tempos, tentei ser concreto com sugestões para crianças, que fossem exemplos possíveis de ‘pontes de serviço’. Hoje reconheço que podem fazer sentido, também para mim:
1- Eu tinha o poder de me armar que tive boa nota no teste mas posso servir ajudando os colegas com mais dificuldades.
2- Eu tinha (e tenho) o poder de andar de carro porque os meus pais têm carros mas posso servir a natureza e andar mais a pé.
3- Eu tenho poder de gritar e dizer disparates e até ofender mas posso servir, escutando mais e dizendo coisas agradáveis aos outros…
4 Eu tenho o poder de gerir as minhas coisas e ficar com elas só para mim mas posso servir e emprestar ao irmão, ao vizinho, à amiga.
5- Etc.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Ez 37, 12-14
«hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço»
No traço judaico-cristão, reconhecemos um Deus criador-amante, que se quer mostrar e que se quer dizer. De alguma forma, é esta a profecia que se rasga neste trecho do Livro de Ezequiel. Na fé, acolhemos um Deus-que-promete. Em tempo de Quaresma (que prepara a grande ponte entre os homens e Deus) entrevemos a morte amorosa e a ressurreição, que explicitam para os cristãos a ‘cereja no bolo’ desta profecia, deste Deus que só sabe criar amando e amar criando. E nós, por graça, podemos ser coautores da profecia…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 22
«habitarei para sempre na casa do Senhor»
«Habitarei para sempre na casa do Senhor», proclama o refrão do salmo. Este convite à fidelidade (para sempre) é dos dons mais preciosos da fé. O compromisso, a fidelidade e o ‘para sempre’ podem soar a monótono e a ‘sem aventura’. Ser fiel, porém, pode ser um permanecer que conduz a saborear terrenos de abundância. As tensões paradoxais em que vivemos (e que somos!) conduzem-nos a uma possibilidade dos extremos se tocarem. Um desses jogos dicotómicos acontece com a liberdade e com o compromisso. E se ‘ficar para sempre’ fosse uma abertura? E se a obediência fosse uma liberdade?…