viver os momentos de felicidade

Há uma arte própria de viver os momentos de felicidade. Refiro-me às experiências em que ‘corre tudo bem’, como desejado e previsto. Tais momentos, se caírem no saco do egocentrismo e da insaciabilidade, tornam-se cinzentos, fugazes e até paradoxalmente pesados.

JP in Espiritualidade Frases 12 Dezembro, 2018

A insustentável leveza da incompatibilidade entre ciência e religião

“A insustentável leveza da incompatibilidade entre ciência e religião”

O deus em que não acredita Peter Atkins é inacreditável: ainda bem que ele é não crente nesse deus e eu, com entusiasmo, acompanho-o nesse ‘ateísmo’.

Artigo completo em

https://www.publico.pt/2018/12/09/ciencia/opiniao/-insustentavel-leveza-incompatibilidade-ciencia-religiao-1853629

Chardin e o dinamismo

Chardin rejeita o tomismo de ser a substância o cerne do assunto (um certo ‘coisismo’, digo eu). Ele incorpora o tempo, a mudança e a relação como constituintes de Deus e dos homens.

JP in Espiritualidade Frases 6 Dezembro, 2018

Homem e(é) animal…

É fraturante, no campo da antropologia, da biologia, da filosofia e de muitas outras áreas, a questão de saber se o Homem é “apenas” um animal mais evoluído. Isto é, se a diferença é apenas de grau, quantitativa, ou se há uma nuance de qualidade. Pessoalmente, entendo que o que distingue o homem é um espaço próprio de consciência. O homem sabe que é… Nas entrelinhas, posto isso, há na espécie humana um lastro de possibilidade de reconhecer um Criador, de alvitrar transcendência…

PS: …E nada contra a proteção dos animais (exageros à parte), que são elementos da criação, na proporção exacta do apontamento humanista, que sempre privilegia, justamente, a criatura humana.

JP in Ciência Espiritualidade Frases 4 Dezembro, 2018

a ti que sofres

A TI QUE SOFRES

A ti

que sofres

não te peço

que não chores.

Que não chore

não há quem.

Que chores,

não te peço também.

Peço-te…

que chores… bem!

 

in Paiva, J. C. (2000), Este gesto de Ser (poesia), Edições Sagesse, Coimbra.

acessível aqui

JP in Espiritualidade Poemas 30 Novembro, 2018

dicotomia 1: o sentido e os sentidos

Vivemos tensionalmente entre um sentido preponderante (O sentido?…) e vários sentidos, que a realidade, a liberdade e o vento nos inspiram. O sentido (singular), não se impõe. Há um caminho libertador: fazer convergir os vários sentidos para O sentido que aponta o essencial…

JP in Espiritualidade Frases 28 Novembro, 2018

cristão anónimo

Foi e é ainda polémica a famosa expressão do teólogo Rahner ‘Cristão anónimo’. Há quem ache que esta expressão tem um tom algo ofensivo, concretamente para os ateus que, em critério simétrico, poderiam invocar o “ateu anónimo” que existe em cada um dos crentes.  Talvez melhor ‘a pessoa autêntica não religiosa’, que procura a retidão, a bondade, a justiça e que, nas suas circunstâncias e possibilidades, realiza um mundo melhor. Quantos admiráveis caminhantes neste perfil!

JP in Espiritualidade Frases 26 Novembro, 2018

salvação fora da Igreja…

Já foi entendido em Roma que “não há salvação fora da Igreja”. O Concílio Vaticano II corrigiu esse enorme lapso e abriu porta à explicitação eclesial de que a Igreja não se confunde com o Povo de Deus, que é mais amplo. E não há evidência mais paradoxalmente identitária para a Igreja do que esta mesma, de quem se reconhece veiculante de um tesouro, mas aberta a um tesouro que a transcende…

JP in Espiritualidade Frases 12 Novembro, 2018

(não) devemos respeitar a vontade dos já mortos

Ainda em tempo de de-funtos (palavra de carga forte na sua raiz: deixar de funcionar…), uma reflexão sobre os que partem e a nossa relação com eles. Ouvi (ironicamente, numa homilia) que “devemos respeitar a vontade dos mortos”. Explícito a minha discordância. Os mortos que tenham tido desejos direcionistas, deveriam ter feito por executar em vida (ou testamentar) o que, na sua liberdade, entendiam por bem exercer. Com as ajudas que conseguissem, incluindo a nossa, bem entendido. Uma vez sendo não vivos, uma outra realidade se poderá associar à sua existência, certamente mais perto da verdade, do amor e da liberdade. Seria irónico (e conheço casos…) que alguns mortos continuassem a manipular os vivos, com desejos (ou caprichos…) manifestados antecipadamente. Há gente que deixa legados pantanosos do tipo ‘não fales com aquele’, ‘não vendas este terreno’ ou até ‘vai para este ou aquele curso’. São prisões sobre a liberdade de terceiros, proibidas pela própria liberdade. Pode estabelecer-se nos que ficam, principalmente em pessoas mais frágeis psicologicamente, um dinamismo de culpa espartilhante, que gera atavismos arrastados e desnecessariamente sofredores.

JP in Espiritualidade Frases 6 Novembro, 2018

morte suave

Morte suave

Dormindo,
calmo
termino aqui
com paz
uma última morte
depois de tantas outras.
Passo
renascido
arriscando
uma esperança
continuada.
Abraço
um braço
que já me tinha sido
estendido.
Recebo
de forma agradecida:
a vida que era morte
…a morte que era vida.
JP in Espiritualidade Poemas 2 Novembro, 2018