do meu ponto de vista…
Há uma frase que, a bem dizer, deveríamos impor a nós mesmos como “antecessora de tudo o mais”. Ela garante a empatia e a consciência profunda do valor da diversidade. A frase mágica é “do meu ponto de vista…”
Há uma frase que, a bem dizer, deveríamos impor a nós mesmos como “antecessora de tudo o mais”. Ela garante a empatia e a consciência profunda do valor da diversidade. A frase mágica é “do meu ponto de vista…”
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 1, 26-38
«Faça-se em mim segundo a tua palavra»
Maria realiza em si aquilo que também nos convida a fazer a nós: abrir-se aos desafios do Criador. Maria não é calculista mas aventura-se, não pergunta mas realiza, não duvida mas acredita, não se recusa mas oferece-se. A maior inspiração mariana radica na abertura à novidade, na criação de um certo ‘nada’ interior, capaz de acolher como dom o ‘tudo’ que o tempo traz.
Há uma diferença grande entre Alegria e divertimento. O divertimento é cutâneo e, principalmente, fugaz. Como vem, vai… e pode até deixar rastos de solidão. A Alegria, pelo contrário, é profunda e essencial, vem mas fica, garavada no tempo, com um sabor que não morre…
Na jornada existencial cristã há uma pergunta de fundo: “quando faço algo por alguém, é por esse alguém, ou, no fundo, por mim próprio?”. A questão tem que se lhe diga, nomeadamente no plano psicológico. A nossa condição de carentes não nos permite saídas fáceis. A terceira via abre uma pista: nem só por mim, nem só por ti mas, comigo e contigo, ‘por Deus’. Este é o âmago da mais profunda conversão… e está em constante processo…
É impressionante a subtileza etimológico-cultural e o dinamismo das palavras. Elas são tão importantes como apenas aproximações tateantes.
A palavra é tão forte quanto frágil e tão potente e simples quanto complexa. É também por isso que, muitas vezes, um abraço em silêncio fala mais do que o dizer.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Is 61, 10b
Olhando à nossa volta, neste dia, nos últimos dias ou, se for mais fácil, alguns anos atrás, podemos dar-nos conta da misericórdia de Deus na nossa vida. Identificar esses momentos ou episódios e agradecer a Deus misericordioso, que se faz presente e sente connosco é, em si próprio, exultar de alegria, verdadeiro caminho de Advento. Convém também notar aquelas pessoas que se poderão cruzar connosco neste dia e nestes tempos e que podem ser alvo da nossa aproximação, do nosso sentir, do nosso toque. Será advento humanizado em nós propormo-nos estar atentos às “provocações” da realidade humana… que nos demanda misericórdia.
Quando os cristãos rezam o “Pai nosso”, professam coisa bem séria na frase “seja feita a Tua vontade”. Em certo sentido (será isto a confiança?) a realidade devolve-nos esta entrega pois ela é, a menos da nossa inércia e do mau uso da liberdade, a projeção do sonho amoroso de Deus…
Em tempo de advento, sem querer elogiar a ignorância, poderemos relevar a importância de saber ou não saber, acerca de nós mesmos, do mundo e de Deus. Este tempo sublinha, pelo contrário, a abertura ao novo, que só se realiza com vazio, com um certo ‘não saber’, que sabe bem…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 1, 1-8
Em tempo de Advento concentramo-nos no riquíssimo panorama e real do deserto, onde aparece João Baptista a proclamar. Não será por mero acaso que a porta que é João Baptista parte do deserto, talvez físico mas, certamente, simbólico. O deserto que somos nós! O verdadeiro arrependimento só se pode fazer a partir do verdadeiro deserto que somos nós. Sem entrarmos no nosso deserto íntimo não nos podemos arrepender e recomeçar verdadeiramente, porque a graça de Deus quis precisar da nossa realidade, do nosso deserto, para se revelar. Precisamos, talvez, no Advento e não só, de valorizar o deserto interior, de entrar nele, de o olhar, de o admitir, de o saborear. Sem silêncio interior e exterior não há tangência no deserto e, porventura, não há conversão…
Para os Cristãos, a encarnação de Deus é um momento fascinante da história da humanidade, que ainda está a acontecer… O orante coloca-se confiante e saboreando o Amor, aceitador, num pedaço de tempo, de ser a oração de Deus em si…