boas paragens
O fruto mais gratuito das boas paragens é o próprio processo de abertura e captura da surpresa. Assim é na vida corrente, também…
O fruto mais gratuito das boas paragens é o próprio processo de abertura e captura da surpresa. Assim é na vida corrente, também…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mt 16, 13-20
Há uma pergunta muito central no cristianismo, que nos visita em espiral, sempre com aprofundamentos renovados: quem é Jesus, o Cristo, para mim? Para Pedro, discípulo especial, Jesus é o Messias, o ‘salvador escolhido’. Embora a fé vivida na Igreja sublinhe o “nós necessário”, o caminho conjunto (a Igreja pode ajudar-me a que eu “me livre de mim mesmo”, concentricamente…), esta pergunta é muito pessoal e dinâmica. Para os cristãos, é uma pergunta que se vai fazendo e que vai tendo como respostas sucessivas a nossa própria vida (con)formada nessa mesma percepção (assim vivida) de Cristo em nós.
NOTA: Este texto repete em parte ou no todo palavras já escritas neste blog, noutro contexto.
SANTOS PEDRO E PAULO, apóstolos – SOLENIDADE
L 1 At 12, 1-11; Sl 33, 2-3. 4-5. 6-7. 8-9
L 2 2Tm 4, 6-8. 17-18
Ev Mt 16, 13-19
NÃO SEI PORQUE AMO
Não sei porque amo.
Se por precisar
se, tão só, por amar.
Amarei por egoísmo
porque não sei não amar?
Porque amarei eu
neste lugar?
Amar para ser amado
É também amar,
mas é mistério
este amar.
Ser amado para amar
ou amar para ser amado
porquê amar?…
in Paiva, J. C. (2000), Este gesto de Ser (poesia), Edições Sagesse, Coimbra.
acessível aqui
Não tanto pelo paraíso escatológico, pelo qual não me movo, mas pela própria lei de vida, pode haver uma abertura na morte. Há duas nuances de fim de vida que podem confortar: a generosidade de dar lugar a outro no planeta; a ausência de sofrimento físico de quem parte… Mas algo me diz que pode haver um mais denso e promissor jardim, verdadeiramente pleno.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 9, 18-24
«tome a sua cruz todos os dias e siga-Me»
Tomar a nossa cruz, ao jeito cristão, tem o seu quê de rendição e, em certo sentido, de entusiasmo. O Evangelho é sistémico e, noutras passagens, esta mesma cruz pode relacionar-se com um ‘jugo leve’ e uma companhia mansa. A cruz e o seu carrego, com mais ou menos religiosidade e simbolismo, é uma evidência antropológica que se impõe além da fé. A vida não é fácil e essa é uma constatação que não carece de fé. Os que acreditam, porém, poderão ser originais na forma como carregam a sua cruz. Nessa originalidade, pela esperança numa vida vivida que vive sempre, os Cristãos tentam seguir Jesus no estilo lutador mas aceitador, frágil mas fiel.
Nota: Este texto é reutilizado/adaptado a partir de um post já publicado neste blog
L1: Zac 12, 10-11; 13,1; Sal 62 (63), 2. 3-4. 5-6. 8-9
L2: Gal 3, 26-29
Ev: Lc 9, 18-24
Há convocatórias de que ninguém se safa: trabalho, risco, dilema e dificuldade. Aceitar a chamada e responder com alegria, é uma estrada de liberdade.
Levinas, filósofo judeu, resume a sua convicção filosófica de forma inspiradora, estabelecendo uma seta ética: “há algo mais importante do que a minha misteriosa vida: a vida do outro!”
A Segunda Lei da Termodinâmica pode ser assim enunciada: a entropia de um sistema isolado aumenta. Numa abordagem qualitativa, podemos associar à entropia o grau de desordem dos sistemas. Abordemos os conceitos de ordem e desordem na sua acepção mais simples: dizer que a entropia está a aumentar é dizer, em certo sentido, que a desordem está sempre a aumentar. Estranhamos tal, pois observamos transformações espontâneas com aumento de ordem, como a formação de cristais (partículas que ficam agregadas e organizadas a partir da situação de dissolução em água), ou a própria formação de um bebé no útero da Mãe (hino da organização celular). Porém, a segunda lei não afirma que num dado sistema a entropia não possa diminuir (aumento de ordem). Fala de um sistema isolado. Então, se sistemas se organizam é porque as suas vizinhanças se desorganizam, de tal forma que, no conjunto «sistema e vizinhanças», de facto, a entropia (desordem) aumenta. No caso dos cristais, as moléculas de água podem desorganizar-se no processo de formação do cristal. No caso do bebé, podemos dizer, com algum humor, que, na vizinhança da gravidez, o desgraçado do marido se desorganiza fortemente ao ir comprar requeijão às 3 horas da madrugada para satisfazer um desejo da esposa grávida amada…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 16, 12-15
«Ele vos guiará para a verdade plena»
Temos no Evangelho de hoje uma alusão à Santíssima Trindade: ”Tudo o que o Pai tem é Meu”, diz Jesus, ao mesmo tempo que refere que o “Espírito Santo nos falará de Si próprio”, deste amor inteiro entre o Pai e o Filho. Entre outras imagens ricas do Espírito Santo, como a pomba da paz ou a água do Baptismo, temos este “qualquer coisa” que transporta um amor imenso, como o que existe entre o Pai e o Seu Filho. Se falta amor em alguma das nossas relações, ouçamos o Espírito Santo que nos convida a um coração que se doa e que recebe, como acontece entre Jesus e o Seu Pai. Convém notar que a simbologia entre Pai e filho é a possível face à indizibilidade da relação plena de Deus, mas é sempre intrinsecamente incompleta e imperfeita, já que os pais e os filhos que somos ou conhecemos, podendo amar-se, (ainda) não amam como Deus ama, com tão radical gratuitidade e risco amoroso…
NOTA: Este texto é repetido/ajustado a partir de evento já publicado neste blog anteriormente.
SANTÍSSIMA TRINDADE
L1: Prov 8, 22-31; Sal 8, 4-5. 6-7. 8-9
L2: Rom 5, 1-5
Ev: Jo 16, 12-15
Conheço gente cristã que mais parece viver esta frase, que não consta do Evangelho: “eu vim para que tenham regras e as tenham em abundância”.