liberdades…
Deus tem fé em nós e por misterioso mistério arriscou criar-nos e amar-nos como seres livres, num cosmos que pulsa também as suas liberdades…
Deus tem fé em nós e por misterioso mistério arriscou criar-nos e amar-nos como seres livres, num cosmos que pulsa também as suas liberdades…
Nas suas versões mais pragmática (a própria vida…) ou mais mística (a eucaristia, por exemplo), o cristianismo, na sua montra antropológica, rasgada e aberta, pode dizer-se na simples frase: “Deus é capaz de corpo para que o homem seja capaz de Deus…”
É longa e ampla a tensão entre Deus e o Homem, entre o Cristo Homem e o Cristo Deus. Percebo a necessidade mística mas tenho receio dos seus exageros, incluindo em mim próprio. É que na procura do Eu Absoluto o Homem não pode esquecer que, se vivencia Deus, o faz dentro de si mesmo, não em Deus, mas, por Sua ação e graça, no próprio Homem.
Diz bem Pannemberg sobre o dinamismo da ressurreição: adianta o definitivo sem fechar o futuro. Certeza de sede e de água. Paradoxo vivível…
O Excesso dos excessos criou-me com a carência das carências que me permite, contudo, um reconhecimento relacionável com esse mesmo Excesso dos excessos…
Quando pretendem apoderar-se do Absoluto, alguns humanos, alguns focos religiosos, estão no caminho divergente. “Porque d’Ele lhes chegou uma centelha, pensam tê-Lo esgotado…”
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 4, 26-34
e a semente vai brotando e crescendo
As comparações que Jesus faz entre as metáforas agrícolas e o Seu reino são muito fecundas, mesmo neste tempo em que, infelizmente, muitas pessoas vivem longe da terra. A “semente vai brotando e crescendo” é uma referencia não só poética mas muito certeira da nossa própria vida: a valorização do processo, o tempo e a paciência que são preci(o)sos, o fruto que nasce e se desenvolve, o crescimento que robustece, a imprevisibilidade das condições, a necessidade de cuidado, a abundância eventual da colheita, a consciência da dádiva. Está aqui tudo o que podemos ser…
A alma, porventura e sem complexos «incorporada», estará para durar, como conceito. Talvez os estudos de Damásio e outros equivalentes «empurrem» a teologia para não dicotomizar o corpo e a alma. A alma sinaliza, para os crentes, a capacidade de reconhecer o criador. Para os católicos, o Deus trinitário (Pai, Filho e Espírito Santo) sublinha a crucialidade da relação. O próprio Deus «é relação». A alma de cada ser humano, que espelha o criador, reflecte-se na relação fraterna com todos os outros e com um Deus pessoal.
Deus, seja lá o que for, é a interrogação que teima diante de todas as respostas.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 46
fortaleza da minha salvação
No salmo que hoje se reza ressalta Deus como “fortaleza da minha salvação”. Saboreie-se um Deus que torna forte a nossa fraqueza e que nos salva, que dá sentido à nossa vida e que vai além das nossas angústias. No evangelho são notadas muitas curas – pontuais e insuficientes (até porque os curados não deixarão de morrer…). Mas com mais relevância, Jesus salva, abre portas, dá sentido de ressurreição. Podemos agradecer – em dinamismo de fé – Ele ser nosso refúgio e, também por isso, pedir-Lhe a graça de, no tempo da nossa vida, sermos nós também eventuais refúgios e sinais de salvação para as pessoas com quem nos relacionamos. Sermos tónicos…