com limão faz limonada…
A célebre frase “se te oferecerem limões faz limonada!” é plena de sabedoria. Reproduz uma límpida e luminosa atitude de conciliação com a realidade.
A célebre frase “se te oferecerem limões faz limonada!” é plena de sabedoria. Reproduz uma límpida e luminosa atitude de conciliação com a realidade.
Definitivamente, a unidade faz-se na diversidade. O caminho será sempre pluri-identitário. O monocronismo uniformista pode ser tentador mas não subtrai apenas à estética do belo pluriforme, acabará também por esbarrar com a liberdade sagrada de cada ser…
Face às tensões institucionais, nas organizações políticas, sociais, culturais e religiosas, pode valer a máxima: “Nem reformismo balofo nem tradicionalismo estático”. Procuremos uma resignificação continuada e, acima de tudo, uma coerência com o nosso estilo de vida.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 16, 19–31
«havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias»
O confronto do homem rico (de quem não sabemos o nome, porque seremos todos nós, possuidores das nossas riquezas…) com Lázaro (o pobre com feridas por cuidar) é central no desafio cristão. O problema do homem rico não era vestir púrpura e linho fino. O seu problema, era que Lázaro estava no seu horizonte e ele não o olhava. A riqueza de saúde, dons e bens torna-se infernal se nos auto-centra e se nos enche de insaciedade. Há “lázaros” para estarmos atentos, aproximarmos e cuidarmos. Seremos sempre medíocres na atenção aos mais pobres, seja qual for a sua pobreza. Mas é precisamente aí, na chaga do que falta, que as nossas mãos ganham sentido e que a riqueza se pode converter em doação.
NOTA: Este artigo é repetido/adaptado de um outro já publicado neste blog
L1: Am 6, 1a. 4-7; Sal 145 (146), 7. 8. 9. 10
L2: 1 Tim 6, 11-16
Ev: Lc 16, 19-31
Na dose certa
Procuro a
minha dose.
Quanto dou?
Que espaço ocupo?
Que tempo tomo?
Às vezes, estou demais,
quase veneno.
Encho com excessivas
palavras.
Melhor fora ser
silencioso solvente.
Outras vezes
devia ser mais presente.
Mais soluto.
Mais concentrado.
Sou micro-escala
quando deveria
gritar ao mundo
uma qualquer injustiça.
Meu sonho?
Ser tónico, não tóxico.
Procuro a
minha dose,
a dose certa…
2011
Uma não decisão prejudica mais do que uma má decisão. Basta pensar, com potencial analógico, no trânsito das cidades: mais valia uma decisão, mesmo que de infração, para evitar aquele engarrafamento…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 16, 1-13
«quem é fiel nas coisas pequenas»
O convite é simples mas radical: ser fiel nas pequenas coisas, como nas grandes. Na realidade, num olhar de unidade e totalidade, não há pequenas nem grandes coisas, pequenas nem grandes causas. Há um desafio global e uno à coerência, em todos os momentos, em todos os desafios. Cada Segundo e cada gesto são, neste sentido, sagrados. Talvez um dos nossos grandes equívocos de auto-perceção e olhar do mundo seja avaliar metricamente de mais. Por isto, a maioria dos místicos fazem referência ao detalhe, ao tempo e à própria natureza. Grande causa a merecer a nossa fidelidade amorosa pode ser lavar a louça, andar, cuidar, respirar…
NOTA: Este artigo é repetido/adaptado de um outro já publicado neste blog
L1: Am 8, 4-7; Sal 112 (113), 1-2. 4-6. 7-8
L2: 1 Tim 2, 1-8
Ev: Lc 16, 1-13 ou Lc 16, 10-13
Há contas por fazer sobre o balanço relativo do uso (e abuso) do plástico e do papel. Custa-me a elaborar que o papel é mais inócuo para o ambiente do que o plástico. O problema essencial, penso, não está em ser plástico ou papel. Está no sentido ético que determina comportamentos. É doloroso ver estômagos de animais marinhos cheios de plásticos ou vestígios nas bordas dos rios de uma espécie de sedimentos plásticos. Mas o problema não está no plástico, está em quem não o reciclou…
Muitas conversas de índole filosófico-teológica se situam no eixo materialidade-simbolismo. Compreende-se esse movimento mas sinto necessidade de o triangular com uma outra dimensão, a da realidade. Com efeito, não é nem decisivo nem exclusivo arrumar eventos como materiais ou simbólicos. Pode existir realidade, com ou sem materialidade, com ou sem simbolismo. As explicitações religiosas, estão plenas de gestos e momentos onde quer o ‘só material’ quer o ‘só simbólico’ são insuficientes. A nossa vida experimenta poder haver muito sentido real, com ou sem materialidade, com ou sem simbolismo…
Há quem não aprecia o conceito de “cultura”, precisamente por ser vago e poder dizer quase tudo. Mas não encontro melhor semântica para esta geografia cruzada de saberes e de vivências. Mais ainda, enquanto crente judaico-cristão, vejo com grande dificuldade a possibilidade de extrair com proveito algo da potencialidade bíblica, sem a respetiva configuração cultural. E como membro de uma Igreja, não consigo igualmente vislumbrar como será possível caminhar e estar atento aos sinais dos tempos, sem um mergulho no empapado cultural em que nos movemos. Cultura e Fé, pois claro!