peço graça maior
Se não peço o que pedincharia, pois fito a graça maior: de tomar para mim internamente apenas o desejo de ter o mesmo desejo do “qualquer coisa Outro”, que só sabe amar e criar…
Se não peço o que pedincharia, pois fito a graça maior: de tomar para mim internamente apenas o desejo de ter o mesmo desejo do “qualquer coisa Outro”, que só sabe amar e criar…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 1, 40-45
quero: fica limpo
Ao repto do leproso “se quiseres podes curar-me”, Jesus responde: “Quero: fica limpo”. Aqui está um “jogo” entre Deus e o homem sobre o qual convém refletir. São elementos importantes: o desejo do homem em ser curado e a resposta pronta do próprio Deus. Seguem-se a cura propriamente dita e até uma recomendação de descrição (não conseguida), bem como um rastilho de testemunho e propagação da fé. Fixarmo-nos essencialmente na fisicalidade mais ou menos espetacular deste relato seria sempre minimizar o seu potencial. Será mais valioso identificar e trabalhar para a cura da nossa “lepra”, das chagas que nos degradam…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 1, 29-39
retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar
Jesus tem um dia estafante… Sentiu necessidade de se retirar para rezar, escondendo-se, de tal forma que os discípulos O procuravam… Este dia de Jesus pode inspirar-nos a nós, que tantos dias estafantes vivemos. Podemos, como Ele, dedicar-nos aos doentes, doentes do corpo, doentes do espírito ou doentes de amor. Convém, contudo, não cair no ativismo, que nos esgote fisicamente para além do possível e que nos des-centre do essencial. É importante estarmos atentos ao ser e ao agir do estilo de Jesus. É bom, pois, retirarmo-nos para descansar e orar e, se for preciso, “escondendo-nos” de algumas provocações e azáfamas…
No jogo limitado das palavras, vendo bem, ironicamente, há uma coisa que Deus não supera: o Amor. Porquê? Porque Ele mesmo é o Amor.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 1, 21-28
ensinava-os como quem tem autoridade
A forma como Jesus ensinava, segundo as escrituras, espelhava autoridade. É bom retermo-nos no potencial pedagógico deste estilo de Jesus, que não seria, com toda a certeza, autoritarismo nem prepotência. A autoridade de Jesus, bem entendido, vinha-Lhe da coerência entre o que dizia e o que vivia. Sabemos que, por sua vez, essa autenticidade era a consequência da Sua unidade filial com uma confiança amorosa estrutural. Inspirador para nós, principalmente quando estamos em papéis educadores…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 1, 14-20
Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus
No final da semana de oração pela unidade dos Cristãos, celebramos este caminho de unidade dos que seguem Jesus, para além das suas pertenças religiosas. Como os pescadores que deixaram as redes (que os prendiam…) podemos perguntar-nos que redes nos prendem, na vida quotidiana. Que liberdades, interiores e exteriores, esperam por seguimentos libertadores? Em particular, será a nossa pertença religiosa (se fechada, fundamentalista ou sectária) uma rede que prende?…
Uma boa graça a pedir – sempre melhor que pedinchar – é a de me assustar menos face ao que falta, dentro de mim, fora de mim e no mundo. A confiança reside aqui: o que falta é matéria prima da obra que se vai esculpindo…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 1, 35-42
Que procurais? (…) Vinde ver. (…) Encontrámos o Messias
O diálogo que Jesus trava com os discípulos de João Baptista resume, em certo sentido, a história da revelação de Deus por intermédio de Jesus Cristo. Esta prosa alimenta-se da tríade procurar-ver-encontrar que, de alguma forma, resume também a nossa sede, a nossa história e a nossa vida pessoal: o desejo de alegria de alegria faz-nos procuraralgo que dê sentido à existência. Jesus, pela forma como vive, como perdoa e como ama, faz-nos verum estilo de vida que tem sentido e nos torna gente encontrada. Se houver um trilho de caminho no cristianismo (depois, pleno de variantes), talvez seja por aqui: procurar, ver, encontrar…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 1, 7-11
Depois de mim virá alguém…
Na celebração do Batismo de Jesus (que se colocou na fila, no melhor sentido do termo), fixamo-nos na personagem de João Batista e na auto-percepção humilde que interiorizou da sua própria missão. Há um lado único, original e irrepetível em todos nós mas, ao mesmo tempo, espreita certa liberdade quando conseguimos assumir a nossa não autossuficiência e caminhamos para um encontro existencial que passa por apontar para um outro, Jesus Cristo. Este que veio, vem e virá, completa-nos naquilo que somos. Ser Cristão é, como celebramos quotidianamente na missa, ser por Cristo, com Cristo e em Cristo…
Buda diz sobre o Nirvana que, em vez de falar, se ofereça uma flor. As realidades oriental e ocidental são mesmo vasos comunicantes: aquilo que é verdadeiramente, só pode ser recebido (não descrito). A cultura ocidental, de que sou feito e que, com gosto, vivo, valoriza mais a palavra e o conceito. A cultura oriental, que visito com gosto e de que bebo com proveito, valoriza mais este gesto silencioso de ser… Mas no fundo, bem sabemos, há muito de orientalidade na cultura ocidental…