religiões
Sobre religiões comparadas (exluindo o sociologicamente patológico) podemos avançar, no máximo, em ‘bom versus melhor’, com a humildade radical de quem sabe que não há luzes sem sombras nem sombras sem luzes no tatear do mistério.
Sobre religiões comparadas (exluindo o sociologicamente patológico) podemos avançar, no máximo, em ‘bom versus melhor’, com a humildade radical de quem sabe que não há luzes sem sombras nem sombras sem luzes no tatear do mistério.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Jo 6, 1-15
Jesus pegou então nos pães, deu graças a Deus e distribuiu-os à multidão
Este trecho do Evangelho referente ao milagre da multiplicação dos pães é muito mastigado no plano teológico e apostólico. Parece ser consensual, contudo, além do sinal da abundância, que há um véu que se entreabre no sentido de Jesus convocar os homens (cada um de nós) para o grande sonho da partilha. Há perguntas que nos podemos fazer, com algum alcance de crescimento, diante desta convocatória para receber, distribuir e partilhar: que pão me faz falta? Sendo eu aquilo de que me alimento, de que me encho? Que pão acumulo? Que pão partilho? Que pão poderia partilhar mais?
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 22
O Senhor é meu pastor: nada me faltará
O refrão do salmo pode ser colocado de uma outra forma: para que nada me falte, para ter o coração cheio de amor e sentir plenitude, é bom fazer com que Deus seja o meu pastor. Para ser feliz (é esse o desafio da fé), é bom deixar-me conduzir pelos Seus critérios, iluminar-me pela Sua luz, ir para onde Ele vai, amar como Ele ama. Todos nós temos sede e procuramos que nada nos falte. Às vezes tentamos saciar-nos do que não sacia, deixando-nos guiar por outros pastores…
A humildade, porque é muito central e virtuosa, torna-se difícil de dizer. Aprecio esta abordagem: “a humildade é ser o que se é, aberto à novidade, consciente dos próprios limites”.
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 6, 7-13
ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão
As palavras que Jesus dirige aos Seus companheiros, por ocasião do envio (da missão, da missa…), são de importância vital. Ele prepara os discípulos e estabelece algumas condições para o apostolado. Enquanto apóstolos de Jesus, há que meditar nestas palavras e afinar o estilo apostólico, que deve ser o de Jesus. Lembremo-nos, nomeadamente, que o caminho deve ser feito de mãos vazias, só com o bastão, prontos a acolher os outros e as suas vidas. A ideia de esvaziar a mochila e partir de mãos mais abertas é uma inspiração de vida, neste tempo em que a contingência se entrelaça com excessos securitários. Deixemos em casa o que nos pode pesar…
A diferença que os crentes religiosos deveriam fazer entre ídolo e ícone poderia inspirar novas resignificações. Centremo-nos nos milhares de imagens que existem de Nossa Senhora de Fátima: vistas e vividas como ídolos, desfocam em superstição, fezada e até desvio. Por outro lado, se inspirarem como ícone, podem animar, vivificar, simplificar a confiança e apontar para o Centro…
Quando pretendem apoderar-se do Absoluto, alguns humanos, alguns focos religiosos, estão no caminho divergente. “Porque d’Ele lhes chegou uma centelha, pensam tê-Lo esgotado…”
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Slm 122
para vós, Senhor, levanto os meus olhos
Aquilo que nós somos e fazemos tem muito a ver com o que vemos… No sentido inverso, é também verdade que as nossas ações influenciam a forma como vemos o mundo. Muitas vezes, não vemos bem e é um gesto de amor ou um mergulho na caridade que nos abre os olhos. De manhã, quando acordamos, a luz invade as nossas pálpebras e desperta-mos para o dia. Para quem levantamos os nossos olhos? Inspirados no salmo e embalados por uma fé que experimenta o suporte de um amor que nos cria e acolhe, vamos treinando o olhar. Que seja, neste sentido, um olhar para o Senhor, para um Cristo de braços abertos que nos chama a um dia vivido, intensa e significativamente na Sua companhia.
É este espanto-milagre que salva. Definitivamente, por graça-dádiva, as grandes viagens são interiores e não dependem de geografias, meteorologias e outras acidentalidades…
Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Mc 5, 21-43
levanta-te e anda
O “levanta-te” de Jesus, serve de inspiração para as pequenas mortes do dia-a-dia, para as pequenas ou grandes quedas da vida. Viver em harmonia com o ressuscitado é sentir o segredar da sua voz, que em cada aparente fatalidade nos sussurra: “levanta-te e anda”. Por isto se diz que os santos não são os que não caem mas os que se sabem levantar, que escutam esta palavra de Jesus e colocam os meios para a traduzir em vida recomeçante. As curas de Jesus realizam-se num quadro de fé e confiança (“se tiveres fé…” – diz Jesus ao chefe da Sinagoga). Há um carácter desdramatizador do cenário, da parte de Jesus, que nos pode ajudar, na vida como na morte. É quase uma comédia ver o amor onde ele não é óbvio mas é, para nós, o caminho. É pela fé que podemos chamar adormecimento à(s) morte(s)…