vinhos e copos
Gosto muito de uma analogia, de origem islâmica, que aponta metaforicamente para as religiões serem o copo e a espiritualidade ser o vinho. Há vários corolários que costumo extrair: um copo sem vinho pouco vale; pode beber-se vinho sem copo (a espiritualidade supera as religiões) mas um copo pode dar jeito (eventual vantagem das religiões…).
Há vários tipos de copos…e de vinhos, etc. Numa fase em que andava meio desalentado com os copos do meu vinho (religião…), mas muito consciente do valor do(s) copo(s) e até agradecido pelo vasilhame, notei interiormente o valor ‘salvífico’ do vinho, que é o que importa, na realidade. Sem vinho, até o meu criticismo, por mais autêntico e urgente que seja, fica seco… A minha ‘saída’ é, talvez como sempre, espiritual ou, se quisermos, mística.
Senti verdadeiramente esse (re)desejo: o do vinho.
(Re)pego na analogia primeira: o vinho também pode, corrido em abundância, lavar o copo com pó e outras sujidades. De mais e mais se beber vinho, o copo pode vivificar-se e fazer fluir melhor a abundância e a partilha, não tanto do vinho em si, que é por inerência excessivo, mas dos próprios copos, que existem, tão só, para servir o bom vinho.