cosmologia aristotélica…

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A ideia de que o universo era um todo ordenado e, por isso, racionalmente explicável, levou Aristóteles a elaborar uma complexa, mas coerente cosmologia. Segundo ela, os corpos celestes eram incorruptíveis, imutáveis e perfeitamente esféricos. Só no espaço entre a Lua e Terra havia mudança e corrupção. As estrelas estavam fixas numa esfera cristalina, por detrás da qual se situava o primeiro motor ou motor imóvel que explicava o movimento, não só da esfera das estrelas fixas, mas também das esferas nas quais estavam incrustados os planetas, a Lua e o Sol. Havia nesta concepção muita observação empírica conduzida por astrónomos capazes de calcular os equinócios e os solstícios, os eclipses do Sol e da Lua, etc. Havia também muita especulação filosófica. Os cristãos medievais adicionaram a esta cosmologia grega a teologia cristã, colocando o empíreo, ou seja, a habitação dos anjos e dos santos, por detrás da esfera aristotélica das estrelas fixas e imaginando que o inferno estava no interior da Terra. Uma tal cosmologia cristã parecia também estar em pleno acordo com a narração bíblica. Esta perspectiva integradora da filosofia e do conhecimento empírico era natural, pois existia também em outras civilizações. A cosmologia aristotélica, com muitos outros conhecimentos, científicos e não só, foi coerente, mas já não é. Nenhum problema com o dinamismo epistemológico mas a teologia tem de se saber redizer num mundo de conhecimento em evolução…