descentramentos
Há quem aponte três «descentramentos» ao longo da história da ciência, mais ou menos baseados num certo narcisismo do homem (antropológico):
1) A Terra deixa de ser o centro do universo. Esta revolução aconteceu com Galileu que, com grande rasgo e intuição, recusando as ideias aristotélicas do seu tempo (teoria geocêntrica), fez observações e concluiu que a Terra não era o centro do universo (teoria heliocêntrica). As suas incursões científicas valeram-lhe sérios problemas com a Inquisição.
2) A espécie humana deixa de ser o centro. Esta revolução dá-se com Darwin. A sua teoria evolucionista coloca a nossa espécie como um elo de uma cadeia complexa de evolução, onde outras espécies de ontem e de hoje se entrelaçam. Em todo o caso, o sinal é claro: a espécie humana, tal qual a conhecemos, não foi criada como primeira espécie viva na Terra.
3) A consciência deixa de ser o centro. Esta revolução deve-se principalmente aos trabalhos de Freud e à sua psicanálise, mas poderíamos associar-lhe outros autores da psicologia e até das neurociências. A valorização da área inconsciente da nossa mente impede-nos um certo domínio de nós próprios e coloca em causa, em certo sentido, a noção de liberdade interior e pessoal.