vergo-me

Vergo-me

 

Vergo-me

em silêncio

face

ao espectáculo

da dor.

Tiro sandálias

engulo sílabas

verto lágrimas

… e páro!

Fico,

em silêncio,

cravado

onde estou.

Todo inteiro,

agarrado.

Abraço

aquele tempo,

tão instante

quanto eterno

… e permaneço,

vergado,

… em silêncio!

 

28 de Janeiro de 2011

JP in Espiritualidade Poemas 22 Abril, 2020

moribundisse

Moribundisse

 

Na moribundisse

desse instante

…longo instante…

se radicaliza

a angústia,

a esperança,

a dúvida e

a certeza.

Ali se joga

em escala

intensa,

em alto grau,

em câmara lenta

rápida

o que a vida

teceu

no tempo.

…Desde o útero

desde o ventre

do cosmos.

Fornos, 4 de dezembro de 2017

JP in Espiritualidade Poemas 6 Março, 2020

tome a sua cruz todos os dias e siga-Me

Na liturgia católica romana deste fim de semana escuta-se Lc 9, 18-24

«tome a sua cruz todos os dias e siga-Me»

Tomar a nossa cruz, ao jeito cristão, tem o seu quê de rendição e, em certo sentido, de entusiasmo. O Evangelho é sistémico e, noutras passagens, esta mesma cruz pode relacionar-se com um ‘jugo leve’ e uma companhia mansa. A cruz e o seu carrego, com mais ou menos religiosidade e simbolismo, é uma evidência antropológica que se impõe além da fé. A vida não é fácil e essa é uma constatação que não carece de fé. Os que acreditam, porém, poderão ser originais na forma como carregam a sua cruz. Nessa originalidade, pela esperança numa vida vivida que vive sempre, os Cristãos tentam seguir Jesus no estilo lutador mas aceitador, frágil mas fiel.

JP in Espiritualidade Frases 22 Junho, 2019

a ti que sofres

A TI QUE SOFRES

A ti

que sofres

não te peço

que não chores.

Que não chore

não há quem.

Que chores,

não te peço também.

Peço-te…

que chores… bem!

 

in Paiva, J. C. (2000), Este gesto de Ser (poesia), Edições Sagesse, Coimbra.

acessível aqui

JP in Espiritualidade Poemas 30 Novembro, 2018

A ti que sofres

A TI QUE SOFRES

A ti

que sofres

não te peço que

não chores.

Que não chore

não há quem.

Que chores,

não te peço

também.

Peço-te…

que chores…

bem!

…in Paiva, J. C. (2000), Este gesto de Ser (poesia), Edições Sagesse, Coimbra.

acessível aqui

 

JP in Poemas 30 Junho, 2018

fantasma

Fantasma

  

O fantasma

Bateu à porta

Sem avisar.

Assustou e levou

O medo, que era ela.

O fantasma perdeu,

Pelo perdão

Pelo amor,

Em vitória eterna.

Tu, grande,

Enormemente generosa

Cresceste e venceste.

Entre nós

(quem diria?)

Subiu ao rubro

A ligação.

Paradoxo, ou talvez não

A verdade é essa:

Não menos,

É mais uma peça!

 

2005

JP in Poemas 28 Junho, 2018