vergo-me

Vergo-me

 

Vergo-me

em silêncio

face

ao espectáculo

da dor.

Tiro sandálias

engulo sílabas

verto lágrimas

… e páro!

Fico,

em silêncio,

cravado

onde estou.

Todo inteiro,

agarrado.

Abraço

aquele tempo,

tão instante

quanto eterno

… e permaneço,

vergado,

… em silêncio!

 

28 de Janeiro de 2011

JP in Espiritualidade Poemas 22 Abril, 2020

moribundisse

Moribundisse

 

Na moribundisse

desse instante

…longo instante…

se radicaliza

a angústia,

a esperança,

a dúvida e

a certeza.

Ali se joga

em escala

intensa,

em alto grau,

em câmara lenta

rápida

o que a vida

teceu

no tempo.

…Desde o útero

desde o ventre

do cosmos.

Fornos, 4 de dezembro de 2017

JP in Espiritualidade Poemas 6 Março, 2020

A ti que sofres

A TI QUE SOFRES

A ti

que sofres

não te peço que

não chores.

Que não chore

não há quem.

Que chores,

não te peço

também.

Peço-te…

que chores…

bem!

…in Paiva, J. C. (2000), Este gesto de Ser (poesia), Edições Sagesse, Coimbra.

acessível aqui

 

JP in Poemas 30 Junho, 2018

fantasma

Fantasma

  

O fantasma

Bateu à porta

Sem avisar.

Assustou e levou

O medo, que era ela.

O fantasma perdeu,

Pelo perdão

Pelo amor,

Em vitória eterna.

Tu, grande,

Enormemente generosa

Cresceste e venceste.

Entre nós

(quem diria?)

Subiu ao rubro

A ligação.

Paradoxo, ou talvez não

A verdade é essa:

Não menos,

É mais uma peça!

 

2005

JP in Poemas 28 Junho, 2018